Eleições Autárquicas

Autárquicas: com 47 presidentes de câmara de saída, PS quer manter mapa rosa e 'aposta' em coligações

Com o objetivo de continuar como principal partido autárquico, o PS parte para as eleições autárquicas de outubro com 47 presidentes a atingir o limite de mandato e poucas capitais de distrito, apresentando-se maioritariamente sozinho, mas liderando 13 coligações e apoiando nove movimentos.

Autárquicas: com 47 presidentes de câmara de saída, PS quer manter mapa rosa e 'aposta' em coligações
RUI MINDERICO/LUSA

Quando o país foi às urnas para as últimas autárquicas, em 2021, a situação do PS era bastante diferente já que, então liderado por António Costa, estava no Governo. Venceu essas eleições, conquistando 149 câmaras (uma delas em coligação com o Livre), 1.285 presidências de junta de freguesia e 163 lideranças de assembleias municipais.

Quatro anos volvidos, o PS tem agora José Luís Carneiro como líder - que sucedeu a Pedro Nuno Santos na sequência da pesada derrota nas legislativas antecipadas de maio -- e está agora afastado do executivo governamental, além de ter caído para terceira força no Parlamento, sendo por isso estas eleições autárquicas um desafio para o partido.

"O nosso objetivo é que as pessoas continuem a olhar para o PS como o principal partido autárquico português, que tem os melhores projetos para ir ao encontro daquilo que são as necessidades dos territórios e das populações e tem os melhores protagonistas para desenvolver essa estratégia", apontou o coordenador autárquico, André Rijo, em declarações à agência Lusa em agosto deste ano.

O PS quer continuar a liderar a ANMP (Associação Nacional de Municípios Portugueses) e a ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias), mas enfrenta o desafio de ter 47 presidentes de câmara perante a limitação de mandato, entre os quais os autarcas de Sintra, Valongo, Torres Novas ou Guimarães.

As “apostas fortes”

Alexandra Leitão a Lisboa, Manuel Pizarro ao Porto, Ana Mendes Godinho a Sintra, Ana Abrunhosa a Coimbra ou Carlos Zorrinho a Évora, são algumas das “apostas fortes” feitas pelo partido, com "pessoas que saíram de ministérios e que já deram provas da sua capacidade política".

Quanto à decisão do partido, ainda no tempo da liderança de Pedro Nuno Santos, de impedir que os candidatos autárquicos fossem nas listas às legislativas antecipadas, salienta o coordenador autárquico que “prestigia a forma como o PS encara estas eleições”: o "compromisso autárquico de querer candidaturas a tempo inteiro nos territórios", o que, defende o coordenador autárquico, diferencia o PS de partidos como o PSD e o Chega.

As 13 coligações que o PS lidera são em Lisboa, Braga, Sintra, Coimbra, Oeiras, Felgueiras, Póvoa de Varzim, Trofa, Albufeira, Ponta Delgada, Celorico de Basto, Seixal e Fronteira.

A Comissão Política Nacional deliberou que, nas coligações, o PS teria que as liderar e que não poderiam realizar-se com partidos da direita parlamentar, devendo ser "negociadas de baixo para cima e não de cima para baixo".

Em termos de apoio aos movimentos de cidadãos, os socialistas optaram por fazê-lo em nove concelhos: Aguiar da Beira, Pinhel, Batalha, Caldas da Rainha, Santiago do Cacém, Boticas, Armamar, Ribeira Brava e São Vicente.