Eleições Autárquicas

Entrevista SIC Notícias

"André Ventura quer ser tudo, mas o objetivo dele é ter tempo de antena"

Um dia após ter obtido um resultado esmagador nas eleições autárquicas, Isaltino Morais, que caminha para o terceiro mandato consecutivo na câmara de Oeiras, esteve na SIC Notícias a explicar as razões pelas quais foi reeleito e a analisar o novo mapa autárquico nacional, sem esquecer os grandes derrotados da noite. 

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Sem surpresas, Isaltino Morais voltou a ser eleito presidente da câmara de Oeiras ao reunir uma percentagem de votos superior a 60%. Depois de já ter passado vários anos à frente do município, o que é que ainda tem para fazer nos próximos quatro anos? O próprio explica.

"Por isso mesmo [já ter passado mais de 30 anos na autaquia] é que [os oeirenses] me elegeram com essa votação. É porque ainda há muito para fazer”, começa por dizer na sua intervenção na SIC Notícias.

Um exemplo do que ainda está para ser feito é o reforço da oferta de habitação pública, aponta, apesar de lembrar que Oeiras “é o município que, neste momento, mais habitação pública está a construir”.

“Estamos a procurar não só resolver os problemas das famílias mais carenciadas, e esse ficará resolvido dentro de dois anos, mas estamos a subir cada vez mais a classe média, portanto, através de renda acessível”, destaca.

Outra área que não descura é a educação:

“Apesar de Oeiras ser um município, já neste momento, que tem mais licenciados, doutorados, mestrados, investigadores, etc, mesmo assim concedemos mais bolsas de estudo nós do que o resto do país todo junto.”

O autarca que se prepara para iniciar o terceiro mandato de forma consecutiva acredita que os oeirenses não votaram em si pelos seus “lindos olhos" ou porque gostam de si.

“Os oeirenses votaram em mim porque acreditam que eu sou capaz de lhe dar muito mais do que aquilo que os outros porventura lhe dariam.”

"É realmente uma vitória estrondosa do PSD"

No panorama nacional, confessa ter ficado surpreendido com os resultados alcançados pelo PSD. Isaltino Morais não esperava que os sociais-democratas ultrapassassem o PS no número de Câmaras Municipais conquistadas.

“Mas é indiscutível que o PSD ganhar mais câmaras que o Partido Socialista e, sobretudo, ganhar nos grandes centros urbanos, nos quatro ou cinco maiores municípios portugueses, Lisboa, Porto, Sintra e Vila Nova de Gaia, é realmente uma vitória estrondosa do PSD, é indiscutível.”

Por outro lado, considera que o Chega "foi esmagado” nestas eleições, um resultado que, em Oeiras, não o surpreende.

“Relativamente às legislativas, às últimas legislativas, aquilo que o líder do Chega realmente dizia é que ia ter 15 a 30 câmaras. Portanto, se a fasquia foi posta dessa maneira, se foi tão elevada, naturalmente, esta coisa dos líderes dizerem uma coisa, uma coisa, e amanhã outra, não podem ter vitórias assim todos os dias, não é? E, portanto, o que é que acontece? Eram 15 a 30, tiveram três e cantam vitória”, atira.

Ainda no tema eleições, mas presidenciais, Isaltino Morais voltou a referir que apoia o almirante Gouveia e Melo e afirmou que espera que o PS “se defina finalmente em relação ao António José Seguro porque não há outro candidato”.

"Objetivo de Ventura é a mediatização"

Voltou novamente à carga nas críticas a André Ventura:

“André Ventura quer ser tudo, não é? Quer ser primeiro-ministro, quer ser Presidente de Câmara, das 308 câmaras, se fosse possível, Presidente da República. O objetivo dele não é esse. O objetivo dele é ter tempo de antena. O objetivo dele é a mediatização e, portanto, é passar a sua mensagem de rutura, na realidade procurar mostrar, digamos, despertar as emoções das pessoas. E, portanto, não olha a meios para o fazer. E ser candidato a Presidente da República é ter mais três meses todos os dias nas televisões e, portanto, pensa que isso vai capitalizar.”

Apesar de considerar que o Partido Socialista saiu derrotado deste exercício eleitoral, o autarca acredita que José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, tentou minimizar os estragos no seu discurso pós-resultados eleitorais.

Com um novo mapa autárquico, mais laranja do que rosa, muda também a liderança da Associação Nacional de Municípios, organismo que Isaltino Morais não se vê a presidir.

Daqui a quatro anos não poderá voltar a ser eleito por atingir o limite de mandatos consecutivos. No entanto, Isaltino Morais garante que só seria capaz de se candidatar a uma e uma só Câmara Municipal que não a de Oeiras: a de Mirandela, a sua terra natal.