Coronavírus

Argentina confirma 2.ª morte no país devido à Covid-19

Antonio Parrinello

É a terceira morte na América Latina.

Especial Coronavírus

A terceira vítima mortal pelo novo coronavirus na América Latina é argentina, com passagem pela Alemanha, o que torna a Argentina o país com mais mortos na região, confirmaram hoje as autoridades sanitárias locais.

César Cotichelli, de 61 anos, tornou-se a segunda vítima fatal na Argentina e a terceira na América Latina, depois de uma vítima no Panamá no dia 08 e da primeira na Argentina no dia 07.

As três mortes na região aconteceram nos últimos seis dias.Cotichelli era engenheiro numa empresa estatal de serviços energéticos e professor da Universidade Tecnológica Nacional de Resistência e estava internado na clínica privada Femechaco na cidade de Resistência, província argentina de Chaco no Norte do país, fronteira com o Paraguai.

O cidadão argentino tinha viajado para a Turquia, Egito e Alemanha, de onde regressou no dia 24 de fevereiro.

Os primeiros sintomas surgiram em 05 de março, mas só foi internado quatro dias depois, com insuficiência respiratória, sem que os médicos desconfiassem do novo coronavirus.

O teste foi feito "por via das dúvidas" e o resultado positivo chegou quinta-feira, poucas horas antes de o paciente morrer nos Cuidados Intensivos.

"Ele era um ex-tabagista e teve patologias pulmonares complicadas anteriormente", justificou a diretora de Epidemiologia de Chaco, María Elisa Flores Barrios, argumentando que no dia 05 de março, quando o paciente se apresentou na clínica, "só apresentava um quadro de diarreia".

"Ele não entrava na definição de casos que estávamos a usar até então que eram casos da China, Irão, Itália. Quando a patologia se complicou e entrou nos Cuidados Intensivos fizemos o teste do coronavirus do mesmo jeito, por via das dúvidas. Ontem [quinta-feira] confirmaram-nos que era positivo. Hoje faleceu", acrescentou.

O paciente manteve contacto estreitos com várias pessoas desde o seu regresso da Alemanha, reconheceu a diretora de Epidemiologia.

"O paciente isolou-se por conta própria desde o começo dos sintomas no dia 05, mas manteve contacto com outras pessoas quando chegou de viagem", admitiu Flores Barrios, indicando ainda que 42 contactos estão sob suspeita.

"Este é um belo exemplo de tudo o que não se pode fazer. Esse paciente já estava a contagiar todos enquanto estava a morrer sem saber", salientou o médico Conrado Estol ao avaliar o caso para a imprensa local.

Os últimos dados oficiais da Argentina, divulgados quinta-feira, apontam para 30 casos confirmados, além das duas mortes, sendo que três dos confirmados foram contagiados localmente em contacto estreito com casos 'importados' da Europa. Os novos dez casos de quinta-feira representam um aumento de 50% num único dia.

Por esse motivo, o Presidente argentino Alberto Fernández anunciou a suspensão de todos os voos da Europa a partir da próxima terça-feira.

A proibição inclui também Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Japão e Irão.Hoje, pouco antes de confirmada a segunda morte no país, o ministro da Saúde, Ginés González García, considerou que não será necessário suspender as aulas porque "não há circulação comunitária do vírus".

"Do ponto de vista da epidemia, seria contraproducente fechar as escolas", concluiu o ministro. "Teria um impacto social muito grande, mas não teria um impacto considerável na Saúde. As crianças não são um grupo vulnerável. Se não vão à escola, vão a outro lugar e aumenta o risco para os adultos", argumentou González García durante a conferência de imprensa.

Ao seu lado, Angela Gentile, chefe do Departamento de Epidemiologia do Hospital de Crianças Ricardo Gutierrez discordou: "As crianças têm quadros leves, mas são agentes transmissores. Suspender as aulas não seria uma medida menor".

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