Coronavírus

Gorilas e orangotangos isolados devido à ameaça de Covid-19

Baz Ratner

O turismo de gorilas está suspenso em África. E os santuários de outros macacos, como os orangotangos, estão impedidos de receber visitantes.

Especial Coronavírus

Apesar de não ser certo que estas espécies possam contrair o coronavírus, a decisão resulta, segundo a BBC, de um crescente receio, por parte da comunidade científica, de que isso possa acontecer.

Segundo a veterinária Kirsten Gilardi, directora da Gorilla Doctors, que presta assistência a esta espécie nas florestas do Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo, ainda que não tenha sido detectada qualquer evidência de que haja gorilas infectados, "os gorilas das montanhas são suscetíveis a patógenos humanos. Sabemos que eles podem desenvolver doenças respiratórias".

Ainda antes do surto, as pessoas já tinham sido aconselhadas a manter 7 metros de distância dos macacos. Agora, as orientações da União Internacional para a Conservação da Natureza vão mais longe, e passou a ser exigida uma distância mínima de 10 metros.

As visitas aos grandes símios foram, assim, reduzidas às que forem estritamente necessárias para garantir a sua segurança e saúde.

A quem estiver doente, ou tiver tido contacto com alguém infectado, deixou mesmo de ser permitida qualquer visita.

A perda de habitat e a caça furtiva são grandes ameaças à sobrevivência de grandes símios, mas as doenças infecto-contagiosas também são uma preocupação, uma vez que as pesquisas têm revelado que os chimpanzés são susceptíveis de contrair o vírus da gripe.

O vírus do Ébola também já matou milhares de chimpanzés e de gorilas no continente africano.

À BBC, Serge Wich, professor de biologia de primatas na Universidade John Moores, em Liverpool, no Reino Unido, disse não saber quais seriam os efeitos na saúde destes animais, caso fossem infectados com o coronavírus. "É um risco que não queremos correr com grandes símios, portanto essas precauções (o encerramento dos santuários) estão a ser tomadas por todos. É um passo importante para tentar reduzir esse risco ".

O Centro de Reabilitação Sepilok Orangutan, na ilha de Bornéu, é um dos muitos santuários para grandes símios que fecharam as portas ao público.

Susan Sheward, fundadora e presidente da Orangutan Appeal UK, considera que a "doença pode ser fatal para o orangotango, já em risco crítico. É um risco que não podemos dar-nos ao luxo de assumir. A OAUK fará tudo o que for possível para garantir que os orangotangos, em Sepilok, permanecem saudáveis e seguros. "