Coronavírus

Primavera Sound do Porto já não se realiza em setembro e regressa em 2021

JOSE COELHO

Portugal não vai ter festivais no verão.

Especial Coronavírus

A 9.ª edição do festival Primavera Sound, no Porto, depois de ter sido adiada de junho para setembro deste ano, já só irá realizar-se em 2021, disse hoje à Lusa o promotor José Barreiro.

“Quando em 30 de março adiámos a 9.ª edição [inicialmente prevista para junho] para 04, 05 e 06 de setembro, parecia-nos uma boa ideia, porque ainda ninguém tinha muito consciência do que seria a evolução da pandemia da covid-19. Agora, que já sabemos as linhas com que nos estamos a coser, é completamente impossível que haja a edição em 2020 e, portanto, estamos a tratar, a ultimar, o adiamento para 2021”, afirmou o diretor da Pic-Nic, promotora do festival, em declarações à Lusa.

“A proibição de realização de festivais e espetáculos de natureza análoga, até 30 de setembro de 2020, e a adoção de um regime de caráter excecional dirigido aos festivais e espetáculos de natureza análoga que não se possam realizar no lugar, dia ou hora agendados, em virtude da pandemia”, foi hoje decidida em Conselho de Ministros.

Inicialmente, o comunicado do Conselho de Ministros referia-se a “festivais de música”, tendo mais tarde essa redação sido alterada para “festivais e espetáculos de natureza análoga”.

O cartaz da edição do Primavera Sound do Porto prevista para este ano incluía, entre outros, Beck, Lana Del Rey, Bad Bunny, Pavement e Tyler, The Creator.

Segundo José Barreiro, a composição do cartaz para 2021 “está a correr muito bem”.

“A própria indústria, internacionalmente, está adiar tudo um ano e, portanto, a probabilidade aumenta muito que consigamos manter grande parte do cartaz e até, talvez, reforçá-lo, beneficiando quem comprou para a 9.ª edição em 2020. Talvez até seja uma agradável surpresa o cartaz em 2021”, afirmou.

Na reunião do Conselho de Ministros de hoje ficou ainda definido que, “para o caso de espetáculos cuja data de realização tenha lugar entre o período de 28 de fevereiro de 2020 e 30 de setembro de 2020, e que não sejam realizados por facto imputável ao surto da pandemia da doença Covid-19, prevê-se a emissão de um vale de igual valor ao preço do bilhete de ingresso pago, garantindo-se os direitos dos consumidores”.

Em relação a esta decisão, José Barreiro considera “extemporâneo estar a falar sobre isso”, visto que “ainda falta que a Assembleia da República valide” o regime.

José Barreiro recordou que uma das propostas que os promotores de festivais fizeram ao Governo foi a criação de “um 'voucher' que garanta ao consumidor que, com o dinheiro que gastou, possa ir à edição de 2021”.

Quanto ao impacto que o cancelamento da edição deste ano pode ter na promotora Pic Nic, garantiu: “Vamos tentar sobreviver”.

“No fundo estamos impossibilitados de trabalhar e temos uma estrutura que já não é propriamente pequena”, afirmou José Barreiro, salientando que o que “mais” o preocupa, “neste momento, é toda aquela gente que trabalha nos festivais”.

No Primavera Sound do Porto trabalham “cerca de duas mil pessoas, segurança incluída”.

“Quero destacar, acima de tudo, essas pessoas. As formiguinhas sem nome, como eu costumo chamar, que estão a passar uma situação muito delicada neste momento”, afirmou.

Além do Primavera Sound, a proibição abrange, entre muitos outros, o CoolJazz (01 a 31 de julho, em Cascais), o Alive (agendado para entre 08 e 11 de julho, em Oeiras), o Super Bock Super Rock (16 e 18 de julho, em Sesimbra), o Marés Vivas (entre 17 e 19 de julho, em Vila Nova de Gaia), o Sudoeste (entre 04 e 08 de agosto, em Odemira), o Bons Sons (de 13 a 16 de agosto, em Tomar), o Paredes de Coura (entre 19 e 22 de agosto, naquela localidade minhota), o Vilar de Mouros (entre 27 e 29 de agosto, na vila que lhe dá nome) e o Festival F (03 a 05 de setembro, em Faro).

As decisões tomadas hoje em Conselho de Ministros em relação aos "festivais e espetáculos de natureza análoga" serão ainda submetidas à apreciação da Assembleia da República e incluem-se nas “medidas excecionais e temporárias de resposta à pandemia da doença Covid-19 no âmbito cultural e artístico”.

Portugal com 1105 mortos e mais de 26 mil infetados

Portugal regista esta quinta-feira 1.105 mortes relacionadas com a covid-19, mais 16 do que na quarta-feira, e 26.715 infetados (mais 533), segundo o boletim epidemiológico divulgado hoje pela Direção Geral da Saúde.

Em comparação com os dados de quarta-feira, em que se registavam 1.089 mortos, hoje constatou-se um aumento de óbitos de 1,5%.

Relativamente ao número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus (26.715), os dados da Direção Geral da Saúde (DGS) revelam que há mais 533 casos do que na quarta-feira (26.182), representando uma subida de 2%.

Mais de 263 mil mortos e mais de 3,7 milhões de infetados em todo mundo

A pandemia de covid-19 já matou 263.792 pessoas e infetou mais de 3.766.180 em 195 países desde que surgiu em dezembro na cidade chinesa de Wuhan, segundo um balanço da AFP às 11:00.

Pelo menos 1.179.700 pessoas foram consideradas curadas pelas autoridades de saúde.

Os Estados Unidos, que registaram o primeiro morto ligado ao novo coronavírus no final de fevereiro, lideram em número de óbitos e casos, com 73.431 e 1.228.609, respetivamente. Pelo menos 189.910 pessoas foram declaradas curadas.

Depois dos Estados Unidos, os países mais afetados são o Reino Unido com 30.076 mortes para 201.101 casos, Itália com 29.684 mortes (214.457 casos), Espanha com 26.070 mortes (221.447 casos) e França com 25.809 mortes (174.191 casos).

A China (excluindo os territórios de Hong Kong e Macau), onde a epidemia começou no final de dezembro, contabilizou 82.885 casos (dois novos entre quarta-feira e hoje), incluindo 4.633 mortes e 77.957 curados.

Desde as 19:00 de quarta-feira, as ilhas Comores anunciaram a primeira morte ligada aos vírus.

Até às 11:00 de hoje, a Europa totalizou 150.249 mortes para 1.641.959 casos, Estados Unidos e Canadá 77.710 mortes (1.291.985 casos), América Latina e Caraíbas 16.425 mortes (302.702 casos), Ásia 9.962 mortes (267.376 casos), Médio Oriente 7.314 mortes (202.367 casos), África 2.007 mortes (51.569 casos) e Oceânia 125 mortes (8.223 casos).