Coronavírus

Investigadores chineses alertam para um novo vírus em porcos com potencial para causar outra pandemia

Michaela Rehle

Risco não é iminente mas é precisa vigilância sistemática, avisam cientistas.

Especial Coronavírus

Um novo vírus da gripe encontrada em porcos na China está a tornar-se mais infeccioso e tem potencial para causar uma nova pandemia entre os seres humanos, alerta um novo estudo, embora o risco não seja iminente.

Uma equipa de investigadores chineses descobriu uma mutação no vírus da gripe H1N1 em porcos analisados entre 2011 e 2018 com "todas características de potencial candidato a vírus pandémico", revela num estudo publicado na revista científica norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences.

Apesar de não constituir um perigo imediato, como é uma estirpe nova - apelidada G4 EA H1N1 - , os humanos têm pouca ou nenhuma imunidade.

Este descendente genético do H1N1 - que causou a pandemia em 2009, inicialmente conhecida como gripe dos porcos, nome entretanto alterado - já foi detetado em suinicultores chineses, embora ainda não existam provas de que é transmissível entre humanos.

Mutações do vírus da gripe são as maiores ameaças pandémicas

Os porcos são considerados importantes "veículos misturadores" para novas gerações de vírus da gripe por isso os cientistas sublinham a necessidade de uma "vigilância sistemática", de implementação de medidas para controlar o vírus em suínos e a monitorização rigorosa dos trabalhadores da indústria suína.

Isto porque uma nova estirpe do vírus da gripe está entre as principais ameaças de doenças, mesmo numa altura em que o mundo tenta lidar com uma pandemia de coronavírus.

A última pandemia de gripe que o mundo enfrentou - o vírus A / H1N1pdm09 em 2009 - foi menos mortal do que se temia sobretudo porque muitos idosos tinham alguma imunidade, provavelmente por causa da semelhança com outros vírus da gripe que já tinham circulado antes.

Este vírus está agora incluído na vacina anual contra a gripe.

Mas a nova estirpe do vírus G4 EA H1N1 ainda não tem vacina, embora possa vir a ser desenvolvida.

Infeções zoonóticas - de animais para humanos

No estudo agora publicado, cientistas de universidades chinesas e do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China recolheram, entre 2011 e 2018, 30 mil amostras nasais de porcos em matadouros em 10 províncias chinesas e de hospitais veterinários, conseguindo isolar 179 vírus da gripe suína.

A maioria desses vírus é "exclusiva" dos porcos, não parecendo afetar outras espécies.

Numa experiência com furões - geralmente usados em estudos de gripe porque desenvolvem sintomas semelhantes aos humanos - observou-se que o G4 era altamente infeccioso, causando sintomas mais graves do que outras estirpes.

Citado pelo The Guardian, James Wood, chefe do departamento de medicina veterinária da Universidade de Cambridge, salientou que esta investigação vem relembrar que "estamos em constante risco do surgimento de agentes patogénicos zoonóticos" e de que "os animais de criação - com os quais os seres humanos têm maior contato do que com a vida selvagem - podem ser fontes de vírus pandémicos".

Uma infecção zoonótica é causada por um agente patogénico que saltou de um animal não humano para um humano.

O novo coronavírus responsável pela Covid-19 teve origem, ao que tudo indica, num morcego no sudoeste da China e ter-se-á transmitido aos seres humanos num mercado de animais vivos em Wuhan, onde o vírus foi identificado pela primeira vez.

Covid-19: Medo dos morcegos? "Assustador seria o Mundo sem morcegos"

O que já sabemos sobre a origem deste vírus? E como está o Homem a potenciar o aumento da frequência de surtos e epidemias? O biólogo tropical Ricardo Rocha é especialista em morcegos.

Covid-19 no mundo. 502 mil mortos e mais de 10,2 milhões de infetados

A pandemia de covid-19 já matou 502.599 pessoas e infetou mais de 10.208.540 em 196 países e territórios desde o início da epidemia, em finais de dezembro passado, na cidade chinesa de Wuhan, segundo um balanço da agência AFP, às 19:00 TMG desta segunda-feira, baseado em dados oficiais.

Pelo menos 5.094.900 pessoas são consideradas curadas.

Desde a contagem feita no domingo às 19:00 TMG de domingo, 2.969 novas mortes e 144.004 novos casos ocorreram em todo o mundo.

Países mais afetados:

Os países com mais mortes nas últimas 24 horas são o Brasil, com 552 novas mortes, Índia (380) e México (267). A Bélgica continua a ser o que apresenta maior número de óbitos face à sua população, com 84 mortes por 100.000 habitantes, seguido pelo Reino Unido (64), Espanha (61), Itália (57) e Suécia (53).

  • Estados Unidos, com 125.928 mortes para 2.564.163 casos.
  • Brasil, com 57.622 mortes e 1.344.143 casos
  • Reino Unido, com 43.575 mortes (311.965 casos)
  • Itália, com 34.744 mortes (240.436 casos)
  • França, com 29.813 mortos (200.667 casos).
  • China (excluindo os territórios de Hong Kong e Macau) com 83.512 casos e 4.634 mortes.

A Europa totalizava às 19:00 GMT de hoje, 196.428 mortes e 2.660.794 casos, os Estados Unidos e o Canadá 134.538 mortes (2.667.981 casos), América Latina e Caraíbas 112.321 mortes (2.491.030 casos), a Ásia 33.689 mortes (1.251.153 casos), o Médio Oriente 15.819 mortes (7.431,72 casos), África 9.671 mortes (385.166 casos) e a Oceânia 133 mortes (9.244 casos)

Portugal com mais 4 mortes e 266 casos de Covid-19

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta segunda-feira a existência de 1.568 mortes e 41.912 casos de Covid-19 em Portugal desde o início da pandemia.

O número de óbitos subiu, de domingo para segunda-feira, de 1.564 para 1.568, mais 4 em relação a ontem, enquanto o número de infetados aumentou de 41.646 para 41.912, mais 266.

Há 489 doentes internados, 71 encontram-se em Unidades de Cuidados Intensivos.

O número de casos recuperados subiu de 27.066 para 27.205, mais 139.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global