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Vacina contra a Covid-19 anunciada pela Rússia preocupa cientistas

Anton Vaganov / Reuters

Ensaios clínicos não estão completos e a vacina pode não ser eficaz.

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A Rússia anunciou estar prestes a ser o primeiro país a aprovar uma vacina contra a covid-19 e planeia vacinações em massa já em outubro, ainda que sem completar os ensaios clínicos, o que está a preocupar cientistas.

Cientistas de vários países dizem que a corrida precipitada às vacinas contra o novo coronavírus, que provoca a doença covid-19, pode ter um efeito negativo, noticia hoje a agência de notícias AP.

As vacinas experimentais covid-19 começaram a ser testadas pela primeira vez em humanos, em algumas dezenas de pessoas, há menos de dois meses, pelo que não há ainda provas científicas que as validem e muito menos a sua distribuição em massa.

"Preocupa-me que a Rússia esteja a saltar etapas pelo que a vacina que aí vem pode não ser eficaz, mas também ser insegura", disse Lawrence Gostin, especialista em direito de saúde pública da Universidade de Georgetown (Washington, Estados Unidos). "Não funciona assim... Os ensaios veem primeiro. Isso é muito importante", disse, citado pela AP.

Rússia promete produção em massa de vacinas contra a Covid-19 daqui a um mês

Rússia afirma que vacina pode ser aprovada antes da Fase 3

Segundo Kirill Dmitriev, chefe do Fundo de Investimento da Rússia, que financiou a investigação, a vacina desenvolvida pelo instituto de investigação Gamaleya, em Moscovo, pode ser aprovada em dias, antes de os cientistas completarem a chamada Fase 3 do estudo.

Esse estudo por norma envolve milhares de pessoas e é a única forma de se provar que a vacina experimental é segura e funciona.

O ministro da Saúde russo, Mikhail Murashko, disse que as pessoas dos grupos de risco, como os trabalhadores da área da saúde, podem ter a vacina ainda este mês. Mas não esclareceu se essas pessoas fazem parte da Fase 3 do estudo.

A vice-primeira-ministra, Tatyana Golikova, prometeu iniciar a "produção industrial" da vacina em setembro, e Murashko disse que a vacinação em massa pode começar já em outubro.

EUA e OMS preocupados

Na semana passada Anthony Fauci, o maior especialista norte-americano em doenças infecciosas, já tinha questionado o processo, afirmando esperar que chineses e russos estejam na realidade a testar uma vacina antes de a administrarem em pessoas, porque ao contrário seria "problemático".

A Organização Mundial de Saúde (OMS) já alertou que todos os candidatos a uma vacina devem passar pelas fases completas de todos os testes.

Lawrence Gostin disse também que oferecer um composto não seguro aos trabalhadores médicos da "linha da frente" pode piorar a situação.

"E se a vacina começasse a matá-los, ou a colocá-los muito doentes?", questionou.

Svetlana Zavidova, diretora executiva da Associação de Ensaios Clínicos da Rússia, disse, citada pela AP:

"São necessários vários anos para desenvolver qualquer medicamento. Vender algo que o [instituto] Gamaleya testou em 76 voluntários durante os ensaios da Fase 1 e Fase 2 como um produto acabado não é sério".

De acordo com a AP, a Rússia ainda não publicou dados científicos dos seus primeiros ensaios clínicos, e na lista de vacinas candidatas da OMS em testes em humanos continuar a aparecer o produto Gemaleya como estando nos ensaios da Fase 1.

A agência de notícias conclui que ainda não é claro se os ensaios da Fase 3, que deverão ser realizados após a vacina receber "aprovação condicionada", terminarão em outubro, quando as autoridades de saúde planeiam começar a vacinação em massa, e quão fidedignos serão os resultados.

O estudo envolverá supostamente 1.600 participantes, 800 para cada uma das formas de vacina. Em comparação um ensaio semelhante de Fase 3 nos Estados Unidos inclui 30.000 pessoas.

Mais de 150 vacinas para a Covid-19 em desenvolvimento

As vacinas mais promissoras no combate à Covid-19

Laboratórios por todo o mundo estão numa corrida contra o tempo para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus. Há dezenas de equipas a testar várias candidatas a vacina, algumas estão mais avançadas e são promissoras, mas os cientistas avisam que nenhuma deverá estar pronta antes do fim deste ano.

Segundo o London School of Hygiene & Tropical Medicine, (que tem um gráfico que mostra o progresso das experiências) há 228 projetos e 4 estão na fase de ensaios clínicos - que consiste na inoculação da vacina em milhares de voluntários a fim de determinar se impede de facto a infeção.

Os resultados mais encorajadores vêm da Pfizer e da BioNTech, da Moderna, do projeto entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca e de vários projetos chineses, nomeadamente da CanSinoBIO que já obteve autorização para administrar a vacina em militares chineses.

Portugal com 3 mortes e 290 novos casos de Covid-19 nas últimas 24 horas

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta sexta-feira a existência de 1.746 mortes e 52.351 casos de Covid-19 em Portugal, desde o início da pandemia.

O número de óbitos subiu de 1.743 para 1.746, mais 3 do que na quinta-feira. Já o número de infetados aumentou de 52.061 para 52.351, mais 290, uma subida de 0,6%.

Há 356 doentes internados, 36 encontram-se em Unidades de Cuidados Intensivos.

O número de casos recuperados subiu de 37.840 para 38.087, mais 247.

Covid-19 matou mais de 715 mil pessoas e infetou mais de 19,1 milhões

A pandemia de covid-19 já matou pelo menos 715.343 pessoas e infetou mais de 19.133.340 em todo o mundo desde que o vírus foi detetado na China, em dezembro, refere o último balanço feito pela Agência France-Presse (AFP) com base em dados oficiais.. Pelo menos 11.319.300 doentes já foram considerados curados.

Países mais atingidos

Entre os países mais atingidos, a Bélgica é a que apresenta o maior número de mortes em relação à sua população, com 85 mortes por cada 100.000 habitantes, seguida do Reino Unido (68), Peru (62), Espanha (61), e Itália (58).

  • Estados Unidos com 160.104 mortes e 4.883.657 casos
  • Brasil, com 98.493 mortos e 2.912.212 casos

  • México, com 50.517 mortos (462.690 casos),

  • Reino Unido, com 46.413 mortos (308.134 casos),

  • Índia, com 41.585 óbitos e 2.027.074 casos de infeção.

  • A China (excluindo os territórios de Hong Kong e Macau) contabiliza oficialmente um total de 84.565 casos (37 novos nas últimas 24 horas), incluindo 4.634 mortes e 79.088 recuperados.

A região América Latina e Caraíbas destronou a Europa no número de óbitos e de infeções, segundo os dados recolhidos até às 12:00 de hoje, com 213.018 óbitos e 5.319.101 casos, enquanto o continente europeu registava 212.415 mortes e 3.301.728 casos.

Os Estados Unidos e o Canadá contabilizavam 169.108 mortes (5.002.218 casos) e na Ásia somavam-se 69.099 óbitos (3.259.246 casos).

O Médio Oriente contabilizava 29.306 mortes (1.218.513 casos), África 22.098 óbitos (1.010.380 casos) e Oceânia 299 mortes (22.154 casos).

Links úteis

Mapa com os casos a nível global

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