Coronavírus

Covid-19 em Portugal. Segunda vaga ou um prolongamento da primeira?

Número de infetados continua a aumentar, principalmente em lares e instituições.

Especial Coronavírus

É a discussão do momento: estamos já na segunda vaga ou é a primeira a prolongar-se porque muita gente não respeita as medidas sanitárias? O número de infetados em Portugal continua a aumentar e aproximam-se dos piores dias que pareciam pertencer ao passado.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta terça-feira a existência de um total de 1.925 mortes e 69.663 casos de covid-19 em Portugal desde o início da pandemia.

O número de mortes subiu de 1.920 para 1.925 , mais 5 do que no domingo. O número de infetados aumentou de 69.200 para 69.663, mais 463.

Ponto de situação nos lares e instituições

O lar da Cruz Vermelha, em Valença, tem testado regularmente os funcionários e, num dos rastreios, uma colaboradora testou positivo. Depois de todos no lar terem feito o teste à covid-19, soube-se que 16 utentes e cinco funcionários estavam infetados.

Em Sintra, 17 pessoas testaram positivo numa casa de saúde, e no Alentejo está a ser investigado um surto num lar na vila de Redondo.

Em Amorim, na Póvoa de Varzim, as portas do infantário, do ATL, da creche e do centro de dia foram encerradas na semana passada e assim deverão continuar até ao final do mês.

No Centro Social Bonitos de Amorim continuam a ser feitos testes aos utentes e funcionários e já se contam 14 casos positivos. Entre os infetados está uma criança de dois anos, 12 funcionários e o presidente.

Também na Póvoa de Varzim está em isolamento uma turma de 24 alunos de uma escola privada, depois de uma criança testar positivo à covid-19. De portas fechadas está também uma academia de dança, que tem dois alunos e um professor infetados.

Bastonário da Ordem dos Médicos: "Vamos precisar de mais espaço e de mais capital humano"

Para o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, é preciso "mais espaço e mais capital" no Serviço Nacional de Saúde para ajudar a combater a pandemia provocada pelo novo coronavírus.

O bastonário avançou que antes da pandemia já havia falta de médicos.

"Já tínhamos dificuldades sem a pandemia".


Relativamente à 'task-force', Miguel Guimarães considera que "é muito importante para doentes não-covid, mas é preciso concretizar e dizer como se vai fazer isso".

"A questão essencial é percebermos como atuar caso o número continue a aumentar".

A 'task-force' para doentes não covid, vai trabalhar em conjunto com o Ministério e tem como objetivo agilizar, coordenar e facilitar o contacto entre hospitais e centros de saúde.

Espanha regista quase 11 mil novos casos em 24 horas

Espanha registou hoje 10.799 novos casos de Covid-19, mais de um terço deles em Madrid, elevando para 682.267 o número total de infetados até agora, segundo números divulgados pelo Ministério da Saúde espanhol.

Por outro lado, o país contabilizou mais 241 mortes com a doença nas últimas 24 horas, aumentando o total de óbitos para 30.904.

Madrid continua a ser a comunidade autónoma com o maior número de infeções, tendo registado mais 3.652 casos do que o número notificado na segunda-feira.

Sergio Perez

Reino Unido regista mais de 4.900 casos diários

O Reino Unido registou nas últimas 24 horas 4.926 novos casos de covid-19, um novo recorde desde maio, e 37 mortes, segundo o ministério da Saúde britânico, após o anúncio de novas restrições pelo Governo britânico.

Na segunda-feira tinham sido contabilizadas 4.368 novas infeções e 11 mortes.

O total acumulado desde o início da pandemia covid-19 no Reino Unido passou hoje para 403.551 de casos de contágio confirmados e 41.825 óbitos num período de 28 dias após um teste positivo.

Aumento de casos em Estocolmo leva Suécia a ponderar medidas inéditas

As autoridades da Suécia ponderam adotar medidas restritivas locais em Estocolmo, devido ao recente aumento de infeções por covid-19, o que a confirmar-se significaria uma mudança na estratégia até agora adotada pelo pais no combate à pandemia.

Henrik Montgomery

"A tendência de diminuição terminou. Se a curva continua a subir, a situação pode tornar-se perigosa", destacou o responsável sanitário de Estocolmo, Bjoern Eriksson.

Segundo as autoridades de saúde suecas, nos últimos sete dias registaram-se na capital 305 novos casos, face aos 254 na semana anterior.

Também o responsável da Saúde Pública da Suécia, Anders Tegnell, defensor até agora da postura adotada no país, reconheceu que se a tendência de aumento persistir, terão que ser pensadas "restrições locais" em Estocolmo.

Agência dos EUA reconhece erro ao dizer que o coronavírus se transmite por via aérea

O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos corrigiu a informação que tinha avançado de que o coronavírus se transmite por via aérea. Diz ter cometido um erro e que essa conclusão carece de provas científicas.

O QUE ACONTECEU?

A atualização das diretrizes do CDC sobre a covid-19 chegava na sexta-feira e dava conta de que a transmissão aérea era a principal forma de propagação do vírus, reforçando a ideia de que as partículas poderiam ser inaladas para o nariz, boca, vias respiratórias e pulmões e causar infeção.

A nova indicação obrigou, desde logo, a repensar algumas questões, nomeadamente as condições em que se ventilam espaços interiores e a obrigatoriedade do uso de máscara.

Apenas três dias depois, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças diz ter cometido um erro.

O QUE MUDOU?

O CDC adianta que a informação divulgada carece de provas científicas. O vice-diretor admite mesmo ter havido uma falha e garante estarem já a rever todo o processo.

Desde o início da pandemia que os especialistas têm vindo a analisar a transmissão do vírus e a melhor forma para o travar.

Já em julho, a Organização Mundial da Saúde tinha publicado uma nova orientação na qual não rejeitava a possibilidade de o coronavírus poder transmitir-se pelo ar em espaços fechados ou pouco ventilados. No entanto, esta informação nunca foi comprovada.

Os cientistas continuam a investigar as possíveis formas de contágio.

Dengue pode fornecer algum nível de imunidade à covid-19, revela estudo

Um novo estudo, que analisou propagação do coronavírus no Brasil, encontrou uma ligação entre a disseminação do vírus e surtos anteriores de dengue, uma doença causada por um vírus transmitido por picadas de insetos. Isto sugere que a exposição à dengue pode fornecer algum nível de imunidade à covid-19.

O estudo científico, liderado por Miguel Nicolelis da Duke University, ainda não foi publicado, tendo sido partilhado em exclusivo pela Agência Reuters. A investigação teve como base a comparação da distribuição geográfica dos casos de coronavírus com a disseminação da dengue em 2019 e 2020.

Os locais com taxas mais baixas de infeção por coronavírus e onde se regista um aumento mais lento dos casos foram regiões que, por sua vez, sofreram intensos surtos de dengue.