Coronavírus

Que impacto está a ter a pandemia na gravidez e na maternidade?

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Investigadores pretendem saber quais as consequências da Covid-19 na saúde mental das grávidas e no desenvolvimento das crianças.

Especial Coronavírus

Investigadores da Universidade do Minho integram um projeto internacional para perceber como é que o novo coronavírus alterou as experiências perinatais, nomeadamente o impacto na saúde mental das grávidas e no desenvolvimento das crianças, revelou esta segunda-feira a responsável.

Em declarações à Lusa, Ana Mesquita, investigadora da Escola de Psicologia da Universidade do Minho afirmou que o projeto surge no âmbito de um consórcio internacional que já se debruçava sobre a depressão e ansiedade perinatal [período que antecede e sucede um nascimento], as suas causas e principais tratamentos.

"No âmbito deste consórcio, criamos uma 'task-force' para perceber qual seria o impacto da covid-19 nestas questões da saúde mental e perinatal, nomeadamente de que forma a pandemia poderia acentuar a incidência destas perturbações (depressão e ansiedade) em grávidas e mães recentes no período pós-parto", explicou a investigadora.

Desenvolvido simultaneamente em 13 países, o estudo, que tem por base um questionário desenvolvido por investigadores da New York University (Estados Unidos da América), recolhe informações sobre as experiencias durante o período pré-natal, o acompanhamento das grávidas, a alteração de rotinas e o período pós-natal.

Além de quererem perceber como é que a pandemia alterou as experiências perinatais, os especialistas querem também descobrir quais os "fatores de risco e proteção" destas mulheres.

"Estamos a tentar caracterizar a situação atual em termos do que são as experiências que estas mulheres estão a passar", destacou a investigadora.

Depois do primeiro inquérito, os especialistas fazem o seguimento (também através de inquéritos) das grávidas passado um mês, três e seis meses após o nascimento do bebé.

Ao inquérito 'online', que está disponível em Portugal desde julho, já responderam 1.200 mulheres e ao inquérito de seguimento do primeiro mês como mães responderam cerca de 400 mulheres.

A chegada da segunda vaga

Com o surgimento da segunda vaga do SARS-CoV-2, Ana Mesquita afirmou que o intuito é manter o inquérito, no qual podem participar grávidas e mulheres com bebés com menos de seis meses, disponível.

"A nossa ideia é que os primeiros dados do estudo possam ser analisados até ao final deste ano, e depois pretendemos analisar os dados subsequentes da segunda vaga", afirmou.

Os dados recolhidos vão permitir não só perceber a situação em cada país, mas também fazer uma comparação com os outros países que participam o estudo (Albânia, Brasil, Bulgária, Chipre, Chile, França, Grécia, Israel, Malta, Espanha, Turquia, Reino Unido).

"Queremos perceber que impacto é que isto vai ter. Sabemos que esta questão da covid-19, além da doença, têm esta questão do 'stress' que piorou na alteração das rotinas e tem também um impacto no neurodesenvolvimento dos bebés", destacou Ana Mesquita.

A equipa de investigadores portugueses pretende ainda fazer o acompanhamento dos filhos das mães que aceitarem participar.

A 'task-force' 'Perinatal Mental Health and Covid-19 Pandemic', liderada pela Universidade do Minho e por uma investigadora da Universidade Loyola Sevilha (Espanha), foi criada no âmbito do consórcio do projeto 'Research Innovation and Sustainable Pan-European Network in Peripartum Depression Disorder, financiado pela COST Association, no âmbito do programa Horizonte 2020 da União Europeia.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,2 milhões de mortos e mais de 46,4 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.544 pessoas dos 144.341 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.