Coronavírus

Vacina da Pfizer/BioNTech será eficaz contra a nova variante detetada no Reino Unido

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Dois estudos preliminares dão esperança na proteção da vacina contra variante altamente transmissível.

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A vacina para a covid-19 desenvolvida pela Pfizer e BioNTech parece proteger contra uma variante mais infecciosa do vírus descoberta no Reino Unido e que se espalhou rapidamente pelo mundo, de acordo com resultados de dois estudos divulgados na quarta-feira.

Os resultados encorajadores de análises ao sangue de voluntários em testes são baseados em análises mais abrangentes do que aquelas divulgadas pela Pfizer norte-americana na semana passada, quando a farmacêutica disse que um estudo mostrou que a vacina é eficaz contra uma mutação chave, chamada N501Y, encontrada em duas novas variantes altamente transmissíveis que estão a espalhar-se no Reino Unido e na África do Sul.

O último estudo, publicado em bioRxiv.org, e ainda não revisto por especialistas, foi realizado com um vírus sintético com 10 mutações características da variante conhecida como B117 identificada no Reino Unido.

Entre os 11 autores do estudo estão Ugur Sahin e OezlemTuereci, co-fundadores da BioNTech. Sahin é o diretor executivo e a esposa Tuereci é a diretora médica.

Estes resultados trazem um pouco mais de esperança, uma vez que todos os dias se têm registado valores máximos de casos e mortes por covid-19 em vários países - Portugal incluído - que se acredita serem causados pela variante mais transmissíve detetada no Reino Unido.

De qualquer forma, o vírus SARS-CoV-2 tem de ser continuamente monitorizado para se ter a certeza que as suas mutações continuam a ser defendidas pelas vacinas.

Variante britânica presente em 60 países

A variante britânica do vírus continua a espalhar-se pelo mundo e já se sabe que na semana passada estava presente em 60 países e territórios - mais 10 do que em 12 de janeiro, segundo a Organização Mundial de Saúde.

A variante sul-africana, que, como a britânica, é muito mais contagiosa do que o vírus SARS-CoV-2 original, espalha-se mais lentamente e está presente em 23 países e territórios, mais três do que a 12 de janeiro.

Voluntários já vacinados expostos à variante

Para o teste, foram colhidas amostras de sangue de 16 participantes vacinados com a Comirnaty nos ensaios clínicos anteriores. O sangue foi depois exposto um vírus sintético denominado pseudovírus, que foi projetado para ter as mesmas proteínas de superfície que a variante B117.

Os anticorpos no sangue dos voluntários que receberam a vacina, conhecida como , ou BNT162b2, neutralizaram o pseudovírus com a mesma eficácia com que neutralizavam a anterior versão do coronavírus para a qual o produto foi inicialmente projetado.

Os especialistas disseram que estas conclusões são tranquilizadoras e que estudos semelhantes serão feitos com a variante sul-africana.

Estes resultados "tornam muito improvável que a variante do Reino Unido escape da proteção fornecida pela vacina", disse Jonathan Stoye, virologista do Instituto britânico Francis Crick, citado pela agência Reuters. "Será interessante fazer as mesmas experiências com a variante sul-africana."

A BioNTech planeia publicar uma análise mais detalhada do provável efeito de sua vacina na variante sul-africana dentro de alguns dias.

O mundo deposita as suas esperanças em vacinas para controlar o novo coronavírus, numa altura em que muitos países impõem bloqueios cada vez mais rígidos para tentar controlar a pandemia.

Variantes e vacinas

Os cientistas dizem que as variantes são mais transmissíveis do que as anteriores que eram dominantes, mas não acreditam que causem a doença covid-19 mais grave.

"A variante sul-africana foi detetada no Reino Unido - embora em pequeno número - mas parece estar a aumentar ultimamente", segundo Paul Hunter, professor de medicina da Universidade de East Anglia.

Os especialistas dizem ser necessário testes contínuos para estabelecer se as vacinas protegerão as pessoas à medida que o vírus sofre mutações.

A vacina da Pfizer / BioNTech e a da Moderna Inc, que usam a tecnologia de RNA mensageiro sintético, ou mRNA, podem ser rapidamente adaptadas para tratar de novas mutações do SARS-CoV-2, se necessário. Os cientistas acreditam que tais mudanças podem ser feitas em menos de seis semanas.

A AstraZeneca e a CureVac também estão a testar as respetivos vacinas para determinar se irão proteger contra as variantes de propagação rápida. Ainda não divulgaram os resultados desses testes.

Portugal ultrapassa pela primeira vez as 200 mortes diárias por covid-19

Portugal registou na terça-feira mais 218 mortes relacionadas com a covid-19 - um novo máximo diário - e 10.455 novos casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde.

O máximo diário de mortes tinha sido registado esta segunda-feira, com 167 óbitos a lamentar.

O máximo de casos de infeção foi de 10.947 registado a 16 de janeiro.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 9.246 mortes e 566.958 casos de infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, estando na terça-feira ativos 135.841 casos, menos 45 em relação a segunda-feira.

Pandemia já matou pelo 2.058.226 pessoas no mundo

A pandemia do novo coronavírus fez pelo menos 2.058.226 mortos no mundo e infetou mais de 96.144.670 desde dezembro de 2019, segundo um levantamento realizado esta terça feira às 11:00 pela agência de notícias AFP.

Na segunda-feira, 9.002 novos óbitos e 512.975 novos casos foram registados em todo o mundo.

Os países que registaram mais mortes novas nos seus levantamentos mais recentes foram os Estados Unidos com 1.385 novos óbitos, Alemanha (989) e Reino Unido (599).

Links úteis

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