Coronavírus

Portugal assegura 1 milhão de vacinas para PALOP e Timor, previstas para o 2.º semestre do ano

MIGUEL A. LOPES

Rita Rogado

Rita Rogado

Jornalista

Declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros sobre o Plano de Ação de resposta à pandemia covid-19 entre Portugal e PALOP e Timor-Leste.

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Portugal vai enviar um milhão de vacinas contra a covid-19 aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e a Timor-Leste. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse que deverão começar a chegar aos países no segundo semestre deste ano.

O valor de 5% das vacinas, anunciado na terça-feira pelo primeiro-ministro, corresponde a cerca de 1 milhão de vacinas, explicou o responsável.

"Em números redondos, significa assegurar um milhão de vacinas visto que a nossa compra global é na ordem dos 20 milhões de doses", acrescentou o responsável, depois de, na terça-feira, o primeiro-ministro ter anunciado que Portugal redirecionaria 5% das vacinas PALOP e Timor-Leste.

Augusto Santos Silva fazia o balanço intercalar do Plano de Ação de resposta à pandemia covid-19 entre Portugal e PALOP e Timor-Leste, no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa.

Sem avançar detalhes sobre os critérios de distribuição, o responsável pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros revelou que a ajuda portuguesa aos PALOP e Timor-Leste está prevista para o segundo semestre deste ano.

O ministro disse também que os atrasos das farmacêuticas podem levar a uma recalendarização da ajuda. O calendário está dependente da "cadência de abastecimento por parte das empresas farmacêuticas" das vacinas compradas por Portugal, explicou. No entanto, garantiu que as vacinas vão ser distribuídas.

"Naturalmente obriga a recalendarizações, mesmo no plano interno. A nossa estimativa é inicar o processo de 5% das vacinas o mais cedo possível ao longo do próximo semestre", disse.

"Unidos estamos melhor preparados para enfrentar os desafios"

A ministra da Saúde, Marta Temido, salientou esta quarta-feira que a união é fundamental para o combate à pandemia. Garantiu que o envio das vacinas contra a covid-19 vai ser feito para os PALOP e Timor-Leste e salientou que nem todas têm "condições de armazenamento e distribuição simples".

"Quando tivermos vacinas com melhores condições em termos de facilidade de administração isso será mais fácil. É um processo que estamos a desenvolver", disse.

Em direto do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa, realçou que o Plano de Ação tem como " trave-mestra" a formação dos recursos humanos e profissionais de saúde, que são "a espinha dorsal" do sistema de saúde,

Marta Temido disse também que "não basta termos vacinas": "É preciso tê-las em quantidade adequada e conseguir distribuí-las".

"O futuro, hoje em 2021, é ainda repleto de incertezas, interrogações às quais não conseguimos responder. Mas unidos estaremos melhor preparados para enfrentar os desafios que esperam as populações", afirmou a ministra da Saúde.

Primeiro-ministro já tinha adiantado a intenção

O primeiro-ministro, António Costa, disse, tinha dito, no dia anterior, que África será prioritária na disponibilização de doses adicionais de vacinas e que Portugal tenciona redirecionar 5% das vacinas que adquirir para Timor e para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e invesir em ações de formação e de capacitação local.

Sublinhou também que o apoio à vacinação internacional é essencial para a erradicação da pandemia e defende que nenhum país do mundo estará seguro até que todos os países estejam seguros.

O chefe do executivo adiantou ainda que, no âmbito da União Europeia, além da iniciativa COVAX que pretende fornecer vacinas a 20% da população de 92 países, Bruxelas está também a trabalhar num mecanismo de partilha que poderá disponibilizar doses adicionais de vacinas e África será uma prioridade.

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