Coronavírus

"Aquilo que estará a acontecer, relativamente ao índice de transmissibilidade, só é declarado no Rt daqui a uns dias"

Entrevista SIC Notícias

Carlos Robalo Cordeiro, diretor do Serviço de Pneumologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra e também diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em entrevista à SIC Notícias.

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No dia em que Portugal inicia a segunda fase do processo de desconfinamento, o índice de transmissibilidade (Rt) do novo coronavírus subiu para 1 no continente, enquanto a incidência desceu para 60,9 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.

Carlos Robalo Cordeiro, em entrevista à SIC Notícias, refere que o "aumento da transmissibilidade era um pouco natural", no entanto realça que o valor do "Rt vem sempre com algum atraso".

"Aquilo que exatamente estará a acontecer, relativamente ao índice de transmissibilidade, só é declarado no Rt daqui a uns dias."

À medida que há um retomar das atividades, "era fundamental uma pressão sobre o nível de testagem (...) e um reforço da vacinação", considera Robalo Cordeiro.

"Nós não temos informação, por exemplo, [sobre] o número de testes que se está a fazer, sobre a percentagem de positividade desses testes. Não temos informação sobre a capacidade e do número de inquéritos epidemiológicos que se estão a fazer neste momento."

O diretor do Serviço de Pneumologia dos HUC fala em "falta de pragmatismo" na forma como a informação destes dados deveria consciencializar a população sobre os riscos: "Aumentando o número de casos ou aumentando o índice de transmissibilidade quais são as atividade que não vão ser libertadas?". Agora, defende Robalo Cordeiro, "é fundamental que também haja esse compromisso mais pragmático sobre os riscos que podem acontecer".

Robalo Cordeiro considera que a população está a "viver numa fadiga pandémica" e que "estava desejosa que houvesse a possibilidade" de desconfinamento, no entanto não se pode esquecer das "variantes em circulação, que não existiam quando houve o anterior desconfinamento".

"Está um pouco nas mãos dos cidadãos a forma como poderemos progredir neste processo de recuperação de atividade."

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