Coronavírus

Região espanhola de Castela e Leão suspende vacinação com AstraZeneca

NACHO GALLEGO

Suspensão até à publicação do parecer da Agência Europeia de Medicamentos.

A região espanhola de Castela e Leão, que faz fronteira com o nordeste de Portugal, decidiu suspender de forma cautelar a utilização da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca até à publicação do parecer da Agência Europeia de Medicamentos.

"Em aplicação do princípio da precaução", as autoridades sanitárias desta região "decidiram suspender a vacinação contra o Covid-19 com a vacina da AstraZeneca/Oxford University", anunciaram as autoridades sanitárias da região.

Em Espanha, as comunidades autónomas têm autonomia em questões de política de saúde.

"Esta medida de precaução foi tomada enquanto se aguarda a publicação do relatório (...) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), que se reúne hoje", acrescentaram os responsáveis pelo setor da saúde desta região espanhola.

EMA apresenta hoje conclusões sobre efeitos secundários da vacina da AstraZeneca

A EMA vai pronunciar-se hoje sobre a possível relação entre a vacina contra a covid-19 da AstraZeneca e a formação de coágulos sanguíneos, anunciou a organização.

A conferência de imprensa online está agendada para as 14:00 TMG (15:00 em Lisboa) e terá como tema "a conclusão do exame ao alerta" lançado sobre esta vacina em relação aos "casos de trombose", afirmou em comunicado o regulador europeu, com sede em Amesterdão.

Há uma ligação entre a vacina da AstraZeneca e os coágulos sanguíneos, afirma responsável da EMA

Na segunda-feira, em declarações ao jornal italiano 'Il Messaggero', o responsável pela estratégia de vacinação da EMA, Marco Cavaleri, considerou "evidente" a ligação entre a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca e a ocorrência de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas.

Espanha já tinha suspendido a utilização da vacina da AstraZeneca em meados de março, assim como outros países, entre os quais Portugal, tendo retomado a sua aplicação alguns dias mais tarde, depois de a EMA ter dado luz verde, considerando que os benefícios da vacina continuavam a superar os riscos e que a sua utilização continuava a ser segura.

As autoridades sanitárias espanholas estão atualmente a administrar esta vacina a pessoas com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos, e também a trabalhadores essenciais com mais de 65 anos que fazem parte da população ativa.

A Espanha vacinou até agora cerca de 6,1% (2,9 milhões) dos seus 47 milhões de habitantes com ambas as doses de uma das vacinas autorizadas e administrou mais de 9 milhões de doses no total.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.862.002 mortos no mundo, resultantes de mais de 131,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.