Coronavírus

Covid-19. “Se houver uma quarta vaga, vai ser decidida nos próximos 15 dias”

Manuel Carmo Gomes considera que a próxima fase do desconfinamento deve ser adiada, uma vez que ainda não é possível medir o impacto do aliviar das medidas de 5 de abril.

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O plano de desconfinamento apresentado pelo Governo prevê, no dia 19, a reabertura dos centros comerciais, o retorno à escola presencial para o ensino secundário e superior e o regresso das atividades culturais – como o cinema e o teatro – entre outras medidas. No entanto, com o Rt a aumentar, Manuel Carmo Gomes, epidemiologista e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, considera que deveria haver um adiamento do alívio das medidas.

“Esta situação epidemiológica ainda não traduz o impacto da abertura que fizermos no dia 5 de abril, mas nós sabemos que estas aberturas têm consequências. Nós abrimos a 15 de março, vimos passados 15 dias que houve um aumento de incidência nas crianças com menos de 10 anos de idade. É natural, seria de esperar. O impacto da abertura de 5 de abril só é visível depois de dia 19 ou 20. Será prudente que nós prossigamos com o desconfinamento numa situação em que a vacinação está atrasada, o Rt está a aumentar e ainda não estamos a ver o impacto das medidas de 5 de abril? A meu ver não”, disse numa entrevista à Edição da Tarde da SIC Notícia.

O especialista sublinha que, quando o Rt apresenta uma tendência de crescimento, “dentro de pouco tempo temos um disparo exponencial do número de casos e, a partir daí, deixamos de ter mão na situação”.

“Se nós, à data presente, estimamos que o tempo que leva a duplicar o número de novos casos é de aproximadamente 35 dias, daqui a dois dias estes 35 dias já são 28 dias, e depois serão 15 dias muito em breve. O desconfinamento só vem acelerar este processo e aumento do Rt”, explica.

Para o epidemiologista, é preciso aprender com o passado e adiar a calendarização do desconfiamento, de forma a que o aumento do número de novos casos seja lento e que a “vacinação consiga compensar esse efeito”.

“Se houver uma quarta vaga é agora, vai ser decidida nos próximos 15 dias. Se nos próximos 15 dias ou três semanas tivermos mão na situação, não vamos ter uma quarta vaga, é muito pouco provável que isso alguma vez aconteça porque a vacinação vai-nos proteger. Porquê correr o risco de ter uma quarta vaga com desconfinamento muito apressado?”, questiona o especialista.

Manuel Carmo Gomes sublinha ainda que existem “armas” para combater o aumento do Rt: “a vacinação me massa, os rastreios em menos de 24 horas e o isolamento dos contactos”.

O epidemiologista lembra que o verão está a chegar e que Portugal deve transmitir aos outros países que tem a pandemia controlada, criando confiança para que os turistas regressem.

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