Coronavírus

Reunião no Infarmed: DGS aponta para o "fim de uma fase pandémica"

MIGUEL A. LOPES

Especialistas e políticos estiveram reunidos para decidir um eventual levantamento de restrições.

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Especialistas e políticos voltaram esta quinta-feira ao Infarmed, em Lisboa, para analisar a evolução da pandemia, numa altura em que Portugal está próximo de atingir a meta de 85% da população vacinada contra a covid-19.

Pedro Pinto Leite, perito da Direção-Geral da Saúde, afirmou que a vacinação contra o novo coronavírus está a ser um sucesso e que o país está claramente no "fim de uma fase pandémica".

A incidência de novos casos está a decrescer em todas as regiões e Portugal já se encontra abaixo dos 240 casos por 100.000 habitantes

Pedro Pinto Leite referiu que por cada cinco casos de covid-19, hospitalizados, quatro não tinham a vacina contra o novo coronavírus.

"Vem reforçar a importância da vacinação", afirmou.

“Rt nunca foi tão baixo sem medidas tão apertadas”

Baltazar Nunes, perito do Instituto Ricardo Jorge, disse, sobre a evolução da covid-19, que o Rt - índice de transmissibilidade - “nunca foi tão baixo” tendo em conta as “medidas de restrição tão baixas” em vigor.

O perito sublinha ainda que a situação, neste momento, é de grande controlo da pandemia, mas alerta para um possível aumento da pressão hospitalar nos períodos do Natal e Ano Novo, caso a vacina perca efetividade ou caso surjam novas variantes do coronavírus.

“Se houver perda de efetividade com o tempo, o momento de maior transmissibilidade associado às festividades de Natal e Ano Novo pode coincidir com o período de menor proteção da população, principalmente quem foi vacinado no início de 2021”, afirma.

Baltazar Nunes aponta ainda para a possibilidade de ocorrência de uma “onda epidémica” no período de inverno, mas explica que se a imunidade conferida pelas vacinas se mantiver elevada, essa onda epidémica não ultrapassará as linhas vermelhas e “estaremos numa situação bastante confortável”.

Henrique Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, defendeu a utilidade dos testes rápidos antigénio para detetar pessoas infetadas com covid-19 em fase de transmissão do vírus e para evitar isolamentos desnecessários.

“Se olharmos para a quantidade de vírus presente naquela pessoa, ou seja, na probabilidade daquela pessoa infetar outra, eles [testes antigénio] funcionam muito bem. Quando as cargas virais são muito altas estes testes são praticamente iguais ao que se espera da performance de um teste PCR”, afirmou.

Há 400 mil pessoas por vacinar em Portugal

O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo prevê que 85% da vacinação esteja completa até ao final de setembro e adianta que estão por vacinar 400 mil pessoas contra a covid-19 em Portugal.

Gouveia e Melo revelou ainda que há, neste momento, 86% da população com uma dose da vacina e quase 82% com a vacinação completa.

Raquel Duarte assume vacinação, testagem e monitorização de variantes como prioridades

Raquel Duarte, da ARS Norte, aponta como prioridade continuar a apostar na vacinação, na testagem e na monitorização de variantes. Acrescenta ainda que o certificado digital deve ser usado como medida adicional de segurança.

“Medidas gerais que devem estar sempre em vigor: ventilação dos espaços fechados, medidas de prevenção individual que podem incluir exigência de certificado, de teste, definição da lotação e uso de máscara”, afirma.

Raquel Duarte recomenda ainda, “de forma forte”, a adoção de medidas de proteção individual quando não é possível manter o distanciamento.

Variante Delta continua a ser predominante em Portugal

Com uma taxa de vacinação elevada, há menos probabilidade de surgirem novas variantes em Portugal. O especialista João Paulo Gomes, do Instituto Ricardo Jorge, revelou que a variante Delta continua a ser a dominante.

"Nas últimas oito semanas tivemos, em Portugal, sempre mais de 98% das infeções representadas pela variante Delta", afirmou.

Jovens dos 16 aos 25 anos são os mais afetados psicologicamente pela pandemia

Carla Nunes, da Escola de Saúde Pública, revelou que os jovens entre os 16 e os 25 anos são os mais afetados psicologicamente pela pandemia.

“Comparando com setembro de 2020, temos mais ou menos os mesmos valores globais: 17% de pessoas sentem-se ansiosas, agitadas ou tristes quase todos os dias, mas a distribuição pelas faixas etárias mudou, há um desequilíbrio entre mais novos e mais velhos (…). Os mais novos a indicar piores valores de saúde mental”.