Coronavírus

Resultados promissores para um cocktail de anticorpos contra a covid-19 da AstraZeneca

Dado Ruvic

Fase final dos ensaios clínicos em seres humanos com bons resultados na redução da doença grave e de mortes.

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Um cocktail de anticorpos contra a covid-19 fabricado pela AstraZeneca deu resultados considerados positivos nos ensaios clínicos de fase 3, anunciou a farmacêutica em comunicado.

O ensaio clínico do medicamento AZD7442, uma combinação de anticorpos, "conseguiu uma redução estatisticamente satisfatória em casos graves de covid-19 e em mortes pela doença em comparação com o placebo administrado a pacientes não hospitalizados com sintomas leves a moderados", segundo o comunicado à imprensa da AstraZeneca.

Os participantes - 90% estavam em alto risco de desenvolver formas graves de covid-19 -. receberam o tratamento nos cinco dias seguintes ao início dos sintomas e a análise preliminar dos resultados mostra que "o AZD7442 reduziu o risco de desenvolver covid-19 grave ou fatal em 67% dos casos em comparação com os que tomaram um placebo".

"Tendo em conta que as infeções graves por covid-19 continua em todo o mundo, há uma necessidade significativa que novas terapias como o AZD7442 sejam usadas para proteger as populações vulneráveis", comenta Hugh Montgomery, professor de medicina intensiva na University College London e um dos principais gerentes do ensaio clínico, que envolveu 903 participantes, citado pela AFP.

A AstraZeneca vai apresentar estes dados às autoridades de saúde e já entregou um pedido de autorização para o uso do medicamento no tratamento de covid-19 junto à Autoridade de Medicamentos dos Estados Unidos (FDA).

O grupo anglo-sueco anunciou em março um acordo com os Estados Unidos para fornecer ainda este ano até 700 mil doses desse tratamento com anticorpos por um valor total de 726 milhões de dólares.

Outros medicamentos para a covid-19

O laboratório GSK, rival britânico da Astrazeneca, trabalha num outro medicamento à base de anticorpos monoclonais de longa ação: o medicamento Sotrovimabe foi classificado no final de junho pela Comissão Europeia como um dos cinco tratamentos mais promissores.

Os anticorpos monoclonais são proteínas concebidas em laboratório que imitam a capacidade do sistema imunitário de combater o SARS-CoV-2, bloqueando assim a fixação do vírus.

A empresa francesa Xenothera está a trabalhar num outro tipo de anticorpo sintético, chamado de "anticorpos policlonais". O medicamento XAV-19, baseado em anticorpos suínos modificados, está na reta final dos testes clínicos.

Vários laboratórios trabalham paralelamente na hipótese de antivirais em comprimidos, sendo um dos mais avançados o Molnupiravir (parceria da Ridgeback Biotherapeutics com o laboratório MSD).

A empresa de biotecnologia Atea Pharmaceuticals e o laboratório Roche estão a trabalharn num tratamento desse género.

A Pfizer está a desenvolver um medicamento que combina duas moléculas, entre as quais ritonavir, já amplamente utilizada contra o VIH, o vírus da sida.

Vacinas contra a covid-19: as que estão a ser usadas e as que estão a caminho

Mais de 4,8 milhões de mortos em todo o mundo

A covid-19 provocou pelo menos 4.843.739 mortes em todo o mundo, entre mais de 237,46 milhões de infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o balanço mais recente da agência France-Presse.

A covid-19 é uma doença respiratória causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China. Entretanto surgiram novas variantes, nomeadamente as identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil e Peru.

A grande maioria dos pacientes recupera, mas uma parte evidencia sintomas por várias semanas ou até meses.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global