Coronavírus

Misturar vacinas contra a covid-19 confere boa proteção contra a doença

Fabrizio Bensch / Reuters

Um número crescente de países está a administrar a segunda dose com uma vacina diferente.

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Uma abordagem combinada de vacinas contra a covid-19 - usando marcas diferentes para a primeira e segunda doses - parece oferecer uma boa proteção contra o SARS-CoV-2, revela um estudo realizado no Reino Unido.

Inocular duas doses da Pfizer, duas da AstraZeneca ou uma seguida da outra, todas as combinações funcionaram bem, preparando o sistema imunitário para o combate contra o novo coronavírus..

Mas dar uma dose da Pfizer quatro semanas após uma injeção da AstraZeneca produz melhores respostas imunitárias do que uma segunda dose da AstraZeneca porque, na experiência da Unversidade de Oxford, induziu níveis de anticorpos tão altos quanto duas doses da Pfizer - neste caso, a vacina com tecnologia mRNA produziu níveis de anticorpos cerca de 10 vezes mais elevados do que duas doses da vacina AstraZeneca.

Mais ainda, depois de duas doses da AstraZeneca, uma terceira dose de reforço com a Pfizer aumenta a resposta imunitária.

Mas iniciar a vacinação com a Pfizer, seguida pela AstraZeneca, não teve sucesso. Tal combinação produziu níveis de anticorpos superiores a duas injeções de AstraZeneca, mas inferiores a duas doses de Pfizer.

Estes são os primeiros resultados completos do estudo Com-Cov, liderado pela Universidade de Oxford e da responsabilidade do professor Matthew Snape, do Oxford Vaccine Group, que recrutou 850 voluntários com mais de 50 anos

O ensaio foi lançado em fevereiro para determinar a possibilidade de combinar doses de vacinas diferentes: verificar se uma injeção diferente na segunda dose pode dar imunidade mais duradoura, melhor proteção contra novas variantes ou simplesmente permitir que as clínicas troquem vacinas em caso de falta de stocks.

Efeitos secundários leves e de curta duração

Em maio, os resultados preliminares revelaram que misturar doses das vacinas AstraZeneca e Pfizer contra a covid-19 aumenta a probabilidade de efeitos secundário leves e moderados em adultos.

Calafrios, dores de cabeça e dores musculares foram relatados com mais frequência quando foram combinadas doses de vacinas diferentes, mas todas estas reações foram de curta duração e não foram levantadas outras questões de segurança.

Vários países já combinam vacinas diferentes

Um número crescente de países tem vindo a administrar diferentes vacinas contra a covid-19 na segunda dose ou numa dose de reforço, mas sobretudo devido aos receios com coágulos sanguíneos raros, mas graves, ou a atrasos no fornecimento do que propriamente preocupação com a eficácia.

Por exemplo, Portugal, Espanha e Alemanha estão a oferecer as vacinas de mRNA da Pfizer ou da Moderna a pessoas mais jovens que já receberam a primeira dose da vacina da AstraZeneca.

Por precaução, vários países suspenderam a administração da vacina da AstraZeneca abaixo de certa idade, como França, Alemanha, Países Baixos, Canadá. A Noruega e a Dinamarca suspenderam totalmente seu uso.

Portugal chegou a suspender tendo depois retomado a inoculação após recomendação da Direção-geral da Saúde a 10 de março de 2021. A 8 de abril ficou decidido que esta vacina só seria administrada a pessoas com mais de 60 anos e que as mais jovens deveriam tomar uma segunda dose diferente, com a Pfizer ou a Moderna.

Os países que estão a avaliar ou já decidiram misturar vacinas:

PORTUGAL

  • Segundo as diretrizes da DGS, quem tem menos de 60 anos e recebeu a primeira dose da AstraZeneca deverá tomar a segunda dose com uma vacina de mRNA (Pfizer/BioNTech ou Moderna).

BAHREIN

  • A 4 de junho, o Bahrein autorizou uma injeção de reforço da vacina Pfizer / BioNTech ou da Sinopharm, independentemente de qual a vacina inicialmente tomada.

CANADÁ

  • O Comité Consultivo Nacional de Vacinação disse a 17 de junho que quem recebeu a primeira dose da vacina da AstraZeneca deve receber uma injeção diferente na segunda dose. No início do mês o Comité tinha dito que as pessoas inicialmente inoculadas com a AstraZeneca poderiam escolher uma vacina diferente para a segunda dose.

ITÁLIA

  • A agência de medicamentos italiana AIFA disse a 14 de junho que pessoas com menos de 60 anos que foram inoculadas com a primeira dose da vacina AstraZeneca podem receber uma segunda injeção diferente.

RÚSSIA

  • O Fundo Soberano Russo, responsável pela produção de vacinas no país, a anunciou a 4 de junho que iria iniciar testes para combinação da vacina Sputnik V com várias vacinas chinesas em países árabes, disse a agência de notícias Interfax.
  • O Fundo afirmou também que não foi detetado nenhum efeito secundário durante os testes clínicos combinando a AstraZeneca e a Sputnik V, relatou a Interfax.

COREIA DO SUL

  • A 18 de junho, Seul anunciou que cerca de 760.000 pessoas que foram inoculadas com uma primeira dose de AstraZeneca receberão a Pfizer na segunda dose devido a atrasos no envio de vacinas no âmbto da COVAX.

ESPANHA

  • A ministra da Saúde, Carolina Darias, disse a 19 de maio que a Espanha permitiria que pessoas com menos de 60 anos que receberam a i primeira njeção da AstraZeneca recebessem uma segunda dose da mesma vacina ou da Pfizer.

EMIRADOS ÁRABES UNIDOS

  • Os Emirados Árabes Unidos disponibilizaram a vacina Pfizer / BioNTech como uma injeção de reforço para aqueles inicialmente imunizados com uma vacina desenvolvida pelo ChinaNational Pharmaceutical Group (Sinopharm).

REINO UNIDO

  • A Novavax disse em 21 de maio que participaria num ensaio de mistura de vacinas a começar em junho no Reino Unido para testar a inoculação de uma dose de reforço com uma vacina diferente.

ESTADOS UNIDOS

  • O Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH) disse a 1 de junho que iniciou um ensaio clínico em adultos totalmente vacinados para avaliar a segurança de uma injeção de reforço de uma vacina diferente.

BRASIL

Vacinas contra a covid-19: as que estão a ser usadas e as que estão a caminho

Em menos de um ano desde que foi declarada a pandemia foram desenvolvidas várias vacinas em laboratórios por todo o mundo. A primeira vacina a obter autorização de emergência para inoculação foi a da Pfizer e BioNTech. O Reino Unido foi o primeiro país a aprovar esta vacina e a iniciar a campanha de vacinação, em dezembro de 2020.

Mais de 3,9 milhões de mortos no mundo

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 3.925.816 de vítimas em todo o mundo, resultantes de mais de 181 milhões de casos de infeção diagnosticados oficialmente, segundo o balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Os países com o maior número de mortos são os Estados Unidos, o Brasil, a Índia e França.

A covid-19 é uma doença respiratória causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

A grande maioria dos pacientes recupera, mas uma parte evidencia sintomas por várias semanas ou até meses.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global