Eleições no Brasil

Justiça brasileira nega candidatura a condenado por "ataques ao regime democrático"

Justiça brasileira nega candidatura a condenado por "ataques ao regime democrático"
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Em 2019 foi preso, depois de colocar vídeos na Internet em que exibia armas de grande calibre e ameaçava membros do Supremo Tribunal.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vetou, por unanimidade, a candidatura presidencial do candidato de extrema-direita Roberto Jefferson, implicado em ataques ao regime democrático que o têm mantido em prisão domiciliária desde agosto de 2021.

Jefferson, presidente de honra do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), tinha registado a sua candidatura para as eleições de 2 de outubro apesar de estar preso na sua residência, mas ainda não tinha sido analisada pelo TSE, que a negou hoje devido a uma pena de sete anos de prisão que recebeu em 2013.

"A decisão foi unânime e atende ao pedido do Ministério Público Eleitoral (MP Eleitoral) que impugnou a candidatura. A partir de agora, fica proibido qualquer ato de campanha bem como deve ser excluído o nome de Jefferson na urna eletrónica", lê-se num comunicado divulgado pelo TSE.

Ainda assim, o TSE deferiu o registo do candidato a vice-presidente Kelmon da Silva Souza, que poderá vir a tornar-se o candidato. À agência Lusa, o líder do PTB na Câmara dos Deputados, Paulo Bengtson, revelou que o partido, que tem 10 dias para apresentar um novo candidato, tem agendada uma reunião extraordinário estado o apoio a Jair Bolsonaro em cima da mesa.

Jefferson, de 69 anos, que está na política desde 1970, foi um dos apoiantes do governo de Fernando Collor de Mello, que se demitiu da presidência em 1992 por corrupção.

Em 2003 juntou-se à base de apoio ao Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, agora novamente candidato e líder nas sondagens para as eleições de outubro, mas em 2005 denunciou um escândalo de suborno parlamentar em que ele próprio esteve envolvido e que levou à sua prisão.

Após deixar a prisão, ligou-se em 2017 ao então presidente Michel Temer e em 2018 promoveu a sua filha Cristiane Brasil como ministra do Trabalho, mas a Justiça anulou a nomeação, pois o político respondia em tribunal por violações das leis laborais com empregados que trabalhavam para ela.

Em 2019 Jefferson aproximou-se do atual presidente, Jair Bolsonaro.Tornou-se então um ativista a favor do armamento de civis, e promoveu manifestações contra as instituições democráticas, apelando ao "encerramento do parlamento e do Supremo Tribunal".

Depois de colocar vídeos na Internet em que exibia armas de grande calibre e ameaçava membros do Supremo Tribunal, foi de novo preso, distanciou-se de Bolsonaro, a quem acusou de não impedir a sua nova detenção, e decidiu candidatar-se à presidência.

Ao todo, 12 candidatos disputam as presidenciais:

  • Jair Bolsonaro
  • Luiz Inácio Lula da Silva
  • Ciro Gomes
  • Simone Tebet
  • Luís Felipe D'Ávila
  • Soraya Tronicke
  • Roberto Jefferson
  • Pablo Marçal
  • Eymael
  • Leonardo Pericles
  • Sofia Manzano
  • Vera Lúcia

Caso nenhum dos candidatos obtenha a maioria de 50% mais um voto em 02 de outubro, a segunda volta realiza-se com os dois mais votados em 30 do mesmo mês. Lula da Silva lidera as sondagens para as presidenciais (47%), seguido por Jair Bolsonaro (32%), segundo o Instituto Datafolha.

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