Eleições no Brasil

Violência e posse de armas marcaram a campanha e ameaçam as eleições no Brasil

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Em quatro anos, registou-se um aumento de quase 500% nas licenças para a aquisição de armas. Veja o vídeo.

A violência e a questão da posse de armas foram temas que dominaram a campanha e podem perturbar o escrutínio. Como medida preventiva, o Tribunal Superior Eleitoral brasileiro decidiu proibir a circulação de armas perto das mesas de voto. Os governos de vários estados avançaram também com a proibição da venda de bebidas alcoólicas no dia das eleições. A campanha eleitoral foi tensa, três pessoas morreram em episódios de violência devido a divergências políticas.

Com o Presidente Jair Bolsonaro, o acesso às armas no Brasil tornou-se mais fácil. Em quatro anos, registou-se um aumento de quase 500% nas licenças para posse de arma, segundo informação divulgada pela agência Reuters.

Os brasileiros podem registar-se como caçadores, atiradores ou colecionadores, uma medida criada por Bolsonaro e que permite que a mesma pessoa compre várias armas de fogo, que são muitas vezes adquiridas em mercados legais, mas acabam por ser desviadas para tráfico e redes criminosas.

A violência em campanhas eleitorais não é inédita no Brasil, candidatos estaduais e municipais são frequentemente atacados por rivais, mas verifica-se um agravamento. Já em 2018, quando foi pela primeira vez candidato presidencial, Bolsonaro foi esfaqueado e sofreu ferimentos graves.

As opiniões sobre o tema divergem entre candidatos e eleitores, o certo é que o medo é generalizado. Uma sondagem recente realizada pela Datafolha mostra como a sensação de insegurança é dominante. Quase 70% dos brasileiros dizem ter receio de serem agredidos por causa da filiação partidária.

No final da campanha, dois episódios graves de violência relacionada com as eleições aconteceram em duas localidades do Brasil. No estado do Ceará, no norte do país, um homem esfaqueou e matou outro num bar no município de Cascavel devido a motivações políticas. O outro homicídio aconteceu no sul, no estado de Santa Catarina, e de acordo com as autoridades, o crime ocorreu devido a questões familiares e divergências partidárias.

Estes são dois casos recentes a juntar a outros episódios de violência que marcaram a campanha, incluindo contra candidatos e dirigentes partidários. Em julho, um tesoureiro do Partido dos Trabalhadores foi morto por um indivíduo que se proclamou apoiante de Bolsonaro.

Jorge Guaranho, autor do crime, invadiu a festa de aniversário da vítima, Marcelo Arruda, e abriu fogo contra o aniversariante. As informações iniciais foram de que ambos tinham morrido, mas a polícia confirmou mais tarde que o atirador sobreviveu.

A tensão eleitoral obrigou as autoridades a reforçarem a segurança dos candidatos e os governos estaduais solicitaram o apoio das forças armadas para garantir a ordem pública em várias localidades.

Transporte de armas proibido durante as eleições

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil decidiu esta quinta-feira por unanimidade proibir o transporte de armas e munições por colecionadores, atiradores desportivos e caçadores durante as eleições marcadas para este domingo.

A proibição é válida para a véspera, o dia das eleições e as 24 horas a seguir ao sufrágio em todo território brasileiro, sob pena de prisão por porte ilegal de arma em caso de incumprimento. A decisão surgiu na sequência de uma sugestão dos delegados de polícia dos 27 estados do país.

De acordo com o comunicado, a proibição abrange os clubes de tiro, que se multiplicaram exponencialmente no Brasil devido às políticas de armas promovidas pelo Presidente Jair Bolsonaro, que agora concorre à reeleição.

Venda de álcool interdita em alguns estados

Pelo menos 11 estados vão restringir a venda e o consumo de bebidas alcoólicas no próximo domingo, para evitar perturbações no ato eleitoral. Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Roraima, Rio Grande do Norte, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná e Tocantins anunciaram que vão adotar a Lei Seca. Caso haja segunda volta eleitoral, estes estados já anunciaram que a mesma medida estará também em vigor no dia 30 de outubro.

Sem legislação federal sobre o assunto, cada estado tem autonomia para decidir se proíbe a venda de bebidas alcoólicas no dia das eleições.

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