Eleições no Brasil

PSDB abstém-se de escolher entre Lula e Bolsonaro para a segunda volta

PSDB abstém-se de escolher entre Lula e Bolsonaro para a segunda volta
Buda Mendes

O PSDB foi protagonista em todas as eleições presidenciais entre 1994 e 2014

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que governou o país durante oito anos, absteve-se de escolher entre Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva para a segunda volta das eleições presidenciais.

A liderança nacional do partido que já foi uma das maiores forças eleitorais do Brasil preferiu manter a neutralidade na segunda volta e libertou assim os seus comités regionais e filiados para anunciarem o apoio que desejam de acordo com as suas convicções.

Lula venceu a primeira volta das eleições presidenciais de domingo com 48,4% dos votos válidos, cinco pontos à frente de Jair Bolsonaro.

Como nenhum deles recebeu mais de metade dos votos, terão de se confrontar de novo a 30 de outubro.

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A decisão de neutralidade do PSDB foi anunciada depois de alguns líderes do partido, como o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, ter anunciado o seu apoio "incondicional" a Bolsonaro e outros, como o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ter dito que estava a negociar o apoio do Partido dos Trabalhadores de Lula (PT).

As divergências devem-se ao facto de em alguns estados onde as governações serão decididas numa segunda volta, os candidatos PSDB precisarem do apoio de Lula ou Bolsonaro para as suas campanhas.

PSDB foi protagonista em todas as presidenciais entre 1994 e 2014

O PSDB foi protagonista em todas as eleições presidenciais entre 1994 e 2014, nas quais os seus candidatos estiveram sempre entre os dois mais votados, mas perdeu força nos últimos anos e emergiu das eleições de 2022 como um partido minoritário, sem quaisquer cargos de governador e com menos de 20 deputados.

Este ano foi a primeira vez que o partido não concorreu com um candidato presidencial, preferindo apoiar a candidatura da senadora Simone Tebet, candidata do Movimento Democrático Brasileiro de centro-direita (MDB), a terceira mais votada no domingo.

A senadora Mara Gabrilli, também membro do PSDB, candidata a vice-presidente de Tebet, já anunciou que não escolhe entre Lula e Bolsonaro.

No 2.° turno opto pelo voto em branco. Não dou meu voto para nenhum dos dois. Fico ao lado dos brasileiros e apoiarei o governo que defender meus ideais de país: inclusão, ciência, combate à corrupção, à fome e desigualdade. Serei oposição sensata. Serei sempre construção".

Por seu lado, o Partido da Cidadania, que faz parte de uma federação partidária com o PSDB e também apoiou a candidatura de Tebet, anunciou na terça-feira o seu apoio a Lula na segunda ronda.

O mesmo aconteceu com o Partido Democrático do Trabalho (PDT), o partido que nomeou o antigo ministro Ciro Gomes - o quarto mais votado nas presidenciais.

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