Eleições no Brasil

Brasil: Supremo tribunal dá 48 horas à polícia para apresentar multas dos bloqueios

Brasil: Supremo tribunal dá 48 horas à polícia para apresentar multas dos bloqueios

Diretor da Polícia Rodoviária, apoiante de Bolsonaro, terá demorado a agir perante os protestos.

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu 48 horas ao diretor da Polícia Rodoviária para que mostre quantas multas aplicou aos manifestantes que desde segunda-feira bloquearam centenas de estradas do país em protesto contra a vitória de Lula da Silva nas presidenciais.

"Alexandre de Moraes determinou a intimação do diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal para que apresente, no prazo de 48h, relatório das multas aplicadas em cumprimento à decisão do STF", lê-se num comunicado divulgado pelo tribunal.

Esta decisão surge devido à inação inicial por parte do diretor da Polícia Rodoviária Federal, um apoiante declarado de Jair Bolsonaro, que demorou a enviar ativos para desobstruir as estradas do país.

Por essa razão, Alexandre de Moraes na segunda-feira à noite ordenou à Policia Rodoviária ações imediatas para desobstruir os bloqueios e disse ainda que caso não tome providências, o diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, teria uma multa de 100 mil reais por hora (cerca de 20 mil euros).

O juiz deu agora 48 horas a Silvinei Vasques para que mostre o relatório que "deve constar a identificação dos veículos e das pessoas autuadas".

Na quarta-feira, o Presidente brasileiro procurou acalmar os ânimos e apelou aos manifestantes que o apoiam para pararem de bloquear estradas pelo país, uma ação que se iniciou na madrugada de segunda-feira por considerarem que os resultados das eleições presidenciais tinham sido fraudulentos.

"Eu quero fazer um apelo a você, desobstrua as rodovias. Isso daí não faz parte, no meu entender, dessas manifestações legítimas. Não vamos perder nós aqui a nossa legitimidade", disse Bolsonaro, num vídeo gravado e partilhado nas redes sociais.

"Vamos desobstruí-las para o bem da nossa nação e para que possamos continuar lutando por democracia e por liberdade", frisou.

Estas declarações parecem ter dado frutos já que na segunda-feira, o número de estradas obstruídas era superior a 300 em 24 estados e agora estão agora presentes em apenas sete estados do país em pouco mais de 70 estradas.

Com 100% dos votos contados, Luiz Inácio Lula da Silva ganhou as eleições presidenciais de domingo por uma margem estreita, recebendo 50,9% dos votos, contra 49,1% para Jair Bolsonaro, que procurava um novo mandato de quatro anos.

Lula da Silva assumirá novamente a Presidência do Brasil em 1 de janeiro de 2023 para um terceiro mandato, após ter governado o país entre 2003 e 2010.