Eleições nos EUA

Apoiantes de Trump invadem Capitólio norte-americano 

VARIOUS

O mayor de Washington D.C. ordenou o recolher obrigatório na cidade.

Última atualização às 00:37 de 07.01.2021

Milhares de apoiantes de Donald Trump derrubaram esta quarta-feira a barreira de segurança no Capitólio, em Washington, e invadiram o Congresso norte-americano, numa altura em que decorria o debate para a certificação dos resultados das eleições presidenciais.

As autoridades declararam que o edifício do Capitólio está finalmente em segurança após agentes das forças de segurança fortemente armados porem fim a quase quatro horas de ocupação por manifestantes pró-Trump.

O anúncio "o Capitólio está seguro" foi emitido em alta voz hoje à noite num local seguro dentro do edifício onde se encontravam os membros da Câmara dos Representantes, que reagiram com um aplauso.

A invasão do Capitólio durante a tarde obrigou à interrupção da sessão de ratificação dos votos das eleições presidenciais dos EUA.

Os representantes e senadores foram levados para locais seguros dentro do complexo do Capitólio e em Washington, após milhares de apoiantes do Presidente cessante, Donald Trump, invadirem o edifício e entrarem em confronto com a polícia.

Os legisladores afirmaram que irão retomar a sessão de ratificação dos votos do Colégio Eleitoral logo que seja seguro fazê-lo.

Durante os distúrbios, um civil foi baleado dentro do edifício do Capitólio, onde foram detidas 13 pessoas por terem invadido espaço que lhes estava vedado.

A polícia metropolitana foi enviada para o Capitólio e os serviços de segurança do Congresso foram auxiliados por agentes estaduais que vieram de Maryland, Virgínia e New Jersey, bem como pela Guarda Nacional e por agentes dos serviços secretos (em particular por causa da presença do vice-Presidente, Mike Pence, que estava a liderar, por inerência, os trabalhos no Senado).

Milhares de manifestantes tinham-se reunido hoje em Washington, protestando e contestando a vitória do democrata Joe Biden.

Num comício em frente à Casa Branca, Trump pediu aos manifestantes para se dirigirem para o Capitólio e fazer ouvir a sua voz, em protesto do que considera ser uma "fraude eleitoral", tendo mesmo dito que "nunca" aceitaria a sua derrota nas eleições de 03 de novembro.

Os manifestantes obedeceram ao comando do Presidente cessante e dirigiram-se para o Capitólio, tendo mesmo invadido o edifício e obrigando agentes policiais a dispararem tiros, um dos quais feriu com gravidade uma mulher, e a usar gás lacrimogéneo (depois de fornecer máscaras de gás aos legisladores que foram sendo retirados do local).

O chefe dos senadores democratas no Congresso falou numa "tentativa de golpe de estado".

A sessão de certificação dos resultados das eleições presidenciais foi interrompida devido aos distúrbios e o edifício evacuado pelas autoridades por questões de segurança.

As imagens divulgadas pelos media locais mostram os apoiantes de Trump em confrontos com as autoridades:

O momento em que os apoiantes de Trump invadiram o Capitólio

Através das redes sociais, vários legisladores, incluindo republicanos, criticaram a ação dos manifestantes, dizendo que não se vão deixar intimidar pela sua presença ou pelos seus apelos para que a contagem de votos do Colégio Eleitoral seja rejeitada, de acordo com a Lusa.

As imagens, também divulgadas nas redes sociais, mostram o momento em que os manifestantes invadiram o edifício:

Mayor de Washington decreta recolher obrigatório

O presidente da Câmara de Washington D.C. ordenou esta quarta-feira recolher obrigatório e o Capitólio fechou as portas, depois dos incidentes.

A polícia do Capitólio pediu ajuda a outras forças policiais para lidar com os milhares de manifestantes.

De acordo com a Lusa, o presidente da Câmara de Washington ordenou o recolher obrigatório a partir das 18:00 (23:00 em Lisboa), para ajudar no esforço das forças de segurança para conter os milhares de manifestantes que se concentraram no Capitólio.

As forças de segurança deram máscaras anti-gás aos legisladores que estavam em trabalho e começaram a evacuar a Câmara de Representantes e o Senado, tentando também retirar das instalações o vice-Presidente, Mike Pence, que liderava a sessão de contagem de votos.Um embrulho suspeito foi também retirado da área do capitólio, segundo as autoridades.

J. Scott Applewhite

Trump reage no Twitter

O ainda Presidente norte-americano pediu aos seus apoiantes para que acedam às ordens da polícia do Capitólio e das forças de segurança e apelou para se manterem pacíficos.

"Por favor apoiem a nossa Polícia do Capitólio e as forças de segurança. Eles estão verdadeiramente do lado do nosso País. Mantenham-se pacíficos!," escreveu Trump.

"Mike Pence não tem qualquer capacidade legal de recusar a certificação dos votos"

Donald Trump tem pressionado Mike Pence, vice-presidente e presidente por inerência do Senado, para que "faça a coisa certa". O vice-Presidente dos Estados Unidos disse que não tem o poder para rejeitar os votos eleitorais.

No Twitter, Trump afirmou que Mike Pence não teve coragem para fazer o que devia ter feito para proteger o país e a Constituição. Luís Costa Ribas explica que Pence não tem qualquer possibilidade, nem capacidade legal, de recusar a certificação dos votos.

"Donald Trump é a última pessoa que deve falar do que constituiu representar a Constituição", aponta o comentador da SIC, que explica, ao pormenor, para que serve esta sessão no Capitólio.

Boris Johnson fala em "cenas vergonhosas no Congresso dos EUA"

O primeiro-ministro britânico manifestou-se no Twitter sobre a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos. Boris Johnson pede uma transferência de poderes pacífica em nome da democracia.

"Cenas vergonhosas no Congresso dos EUA. Os Estados Unidos representam a democracia em todo o mundo e agora é fundamental que haja uma transferência de poder pacífica e ordeira", escreveu Boris Johnson.

Polícia utiliza gás lacrimogéno contra manifestantes

A polícia norte-americana utilizou gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes que cercam o Capitólio. Os manifestantes planeiam passar a noite no local.

Shannon Stapleton