Presidenciais

Marcelo, o Presidente que quer ser recordado como bom pai, avô e professor

ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Rita Rogado

Rita Rogado

Jornalista

Marcelo Rebelo de Sousa vai anunciar a recandidatura à Presidência da República, esta segunda-feira em Lisboa.

Marcelo Rebelo de Sousa está na corrida a Belém. Em 2015 disse na SIC que tinha de desacelerar o ritmo nos próximos anos. Cinco anos depois, candidata-se ao segundo mandato como Presidente da República.

O anúncio, tardio para alguns candidatos presidenciais, chegou esta segunda-feira, dia 7 de dezembro. Até aqui, o atual Presidente da República manteve em aberto a recandidatura. Para Marcelo, o estatuto de chefe de Estado era a prioridade durante uma pandemia.

A candidata Ana Gomes tinha afirmado que a indefinição de Marcelo em assumir a recandidatura aconteceu para se "furtar ao debate". André Ventura, candidato presidencial apoiado pelo Chega, foi outro critico do Presidente da República, ao defender que devia ter anunciado se é recandidato no dia em que marcou a data das eleições, em vez de manter "obstinadamente um tabu incompreensível".

Na semana passada, Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu aos jornalistas, à margem de uma cerimónia comemorativa do 1.º de dezembro, que tem recebido "várias pressões de diversas naturezas" para se recandidatar.

Nessa mesma intervenção salientou que a decisão era sua e que ia esperar pelo momento certo para tomar uma decisão e anunciá-la aos portugueses. Foi isso que fez esta segunda-feira.

Em entrevista ao programa da SIC Alta Definição, antes de se candidatar a um primeiro mandato e vencer as eleições presidenciais de 2016, garantiu que não se candidatava apenas com a certeza de uma vitória.

"Passei a vida a fazer combates, à partida perdidos", disse.

Nessa altura, defendia que o próximo Presidente da República devia ter a capacidade de criar consenso entre as diversas forças políticas.

As origens de Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa nasceu em Lisboa, em 1948. Completa 72 anos no próximo sábado, dia 12 de dezembro.

Filho de um homem do antigo regime, Baltazar Rebelo de Sousa, um amigo muito próximo de Marcello Caetano, Marcelo Nuno esteve quase a ser afilhado do sucessor de António de Oliveira Salazar.

É católico, participou em vários movimentos da Igreja.

Licenciou-se em Direito com 19 valores, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. É também doutorado em Ciências Jurídico-Políticas, desde 1984, com Distinção e Louvor por unanimidade.

"A política está-lhe no sangue", disse à SIC, há alguns anos, Diogo Freitas do Amaral, um dos seus mais fervorosos apoiantes.

Questionado como quer ser recordado, a resposta é simples: como um bom pai e um bom avô e depois um bom professor.

"Se for recordado por isso, já tenho a vida ganha", afirmou no Alta Definição da SIC.

A política e a educação

Professor catedrático de direito jubilado, foi diretor do Expresso e comentador político televisivo. Sem ter sido fundador, esteve na fundação do PPD, em 1974, com Francisco Sá Carneiro e Francisco Pinto Balsemão.

Sobre a política, apelou sempre à independência. Aos alunos dizia:

"Primeiro tenham uma profissão para terem retaguarda e depois façam política. Esta coisa de viver da política em Portugal não existe, é uma ficção".

Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito Presidente da República à primeira volta nas eleições de 24 de janeiro de 2016, com 52% dos votos expressos. Assumiu a chefia do Estado a 9 de março do mesmo ano.

O dia da tomada de posse foi longo e teve vários momentos, entre eles a condecoração de Cavaco Silva. A primeira jornada do mandato começou bem cedo na Assembleia da República e prolongou-se durante todo o dia.

Antes disso, o antigo presidente do PSD reconheceu em entrevista ao programa da SIC Alta Definição que os filhos não gostariam que ele fosse eleito Presidente da República e reconheceu que e a família tem "bastante peso" numa decisão dessas.

Outros candidatos

Além de Marcelo Rebelo de Sousa, há mais oito candidatos a Belém: a socialista Ana Gomes, André Ventura, apoiado pelo Chega, o comunista João Ferreira, a bloquista Marisa Marias, Tiago Mayan, apoiado pela pela Iniciativa Liberal, Bruno Fialho, presidente do Partido Democrático Republicano, Paulo Alves e Vitorino Silva, ex-candidato a Presidente da República.

As eleições presidenciais foram parcadas para 24 de janeiro de 2021. A informação foi publicada no site da presidência.

As candidaturas têm agora até 24 de dezembro para serem apresentadas formalmente no Tribunal Constitucional, propostas por um mínimo de 7.500 e um máximo de 15.000 eleitores.

A campanha eleitoral vai decorrer entre 10 e 22 de janeiro de 2021.

O próximo Presidente da República tomará posse perante a Assembleia da República no dia 9 de março de 2021, último dia do atual mandato de cinco anos de Marcelo Rebelo de Sousa.

Ana Gomes

Ana Gomes, de 66 anos, é jurista e antiga diplomata, tendo-se destacado como chefe da missão diplomática portuguesa na Indonésia durante o processo de independência de Timor-Leste.

Foi eurodeputada pelo PS entre 2004 e 2019 e chegou a integrar o órgão restrito da direção, o Secretariado Nacional, durante a liderança de Ferro Rodrigues (2003-2004).

O PS decidiu que a orientação para as eleições presidenciais será a liberdade de voto, sem indicação de candidato preferencial. Ana Gomes tem o apoio de figuras socialistas como Manuel Alegre, Francisco Assis (o primeiro a falar no seu nome para Belém), Pedro Nuno Santos ou Duarte Cordeiro.

André Ventura

André Ventura, de 37 anos, é professor universitário, presidente do partido Chega e deputado desde 2019, ano em que o partido se candidatou pela primeira vez a eleições legislativas e elegeu um parlamentar.

Foi militante do PSD e candidato por este partido à Câmara Municipal de Loures, em 2017, quando afirmações polémicas sobre a comunidade cigana provocaram a rutura da coligação com o CDS-PP no município.

Foi o primeiro a pré-anunciar a sua candidatura a Presidente da República, em 29 de fevereiro.

João Ferreira

João Manuel Peixoto Ferreira, 42 anos, é biólogo, eurodeputado e vereador na Câmara Municipal de Lisboa.

Integra o Comité Central do PCP, tendo sido candidato pelo partido em duas das mais recentes eleições do país: cabeça de lista a Lisboa nas autárquicas de 2017 (obtendo 9,55% dos votos) e número um nas europeias de 2019 (6,88%).

No Parlamento Europeu, João Ferreira é vice-presidente do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verdes Nórdica

Foi o PCP que anunciou, em 12 de setembro, a sua candidatura a Belém.

Marisa Matias

Marisa Isabel dos Santos Matias, 44 anos, é socióloga e eurodeputada eleita pelo Bloco de Esquerda desde 2009, partido de que é dirigente, integrando a Mesa Nacional e a Comissão Política.

Depois de ter encabeçado a lista do BE à Câmara Municipal de Coimbra em 2005, foi eleita eurodeputada quatro anos depois (como número dois), tendo sido reeleita em 2014 e 2019, já como cabeça de lista.

Em 2016 foi candidata às presidenciais, tendo ficado em terceiro lugar, com 10,12% dos votos, o melhor resultado de sempre de um candidato presidencial da área política bloquista.

Anunciou a sua candidatura em 09 de setembro de 2020 e conta com o apoio do seu partido, o BE.

Tiago Mayan

Tiago Mayan na apresentação da candidatura à Presidência da República, acusou Marcelo Rebelo de Sousa de nada ter feito enquanto Presidente e disse que por essa razão não pode ser feito um balanço do mandato.

Natural do Porto e advogado de profissão, Tiago Mayan apresenta-se como um candidato "fora da bolha do Terreiro do Paço", elegendo como bandeira a defesa dos direitos, liberdades e garantias de todos os portugueses.

Natural do Porto e advogado de profissão, Tiago Mayan apresenta-se como um candidato "fora da bolha do Terreiro do Paço", elegendo como bandeira a defesa dos direitos, liberdades e garantias de todos os portugueses. Se for eleito, promete um papel de moderação entre os cidadãos e o Governo, de que não será "um defensor acrítico".

Anunciou a candidatura em 25 de julho de 2020 e conta com o apoio da Iniciativa Liberal.

Bruno Fialho

Bruno Fialho, 45 anos, exerceu a profissão de advogado e é presidente do Partido Democrático Republicano (PDR).

Atualmente, é chefe de cabina de uma companhia aérea e vice-presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).

Foi eleito presidente do Partido Democrático Republicano em 18 de janeiro de 2020, sucedendo no cargo a António Marinho e Pinto, e anunciou a candidatura a Belém em 27 de julho.

PAULO ALVES

Joaquim Paulo Pinto Alves, 51 anos, é empresário e foi candidato à Câmara Municipal de Felgueiras em 2017 pelo partido Juntos Pelo Povo (JPP).

Foi deputado municipal em Felgueiras (2005-2009), eleito na lista independente do movimento liderado por Fátima Felgueiras, e candidato às legislativas de 2019 pelo círculo eleitoral Fora da Europa, novamente pelo JPP.

Anunciou a sua candidatura em 5 de novembro, no Porto.

Vitorino Silva

Vitorino Silva (conhecido como Tino de Rans), de 49 anos, foi calceteiro e presidente da Junta de Freguesia de Rans (a sua terra natal, no concelho de Penafiel) entre 1994 e 2002, eleito nas listas do PS.

Ficou conhecido a nível nacional por um discurso que fez no XI Congresso do Partido Socialista, em 1999, que pôs os militantes a rir e terminou com um abraço ao então secretário-geral António Guterres.

Nas eleições autárquicas de 2009, concorreu como independente à Câmara Municipal de Valongo e, em 2017, à de Penafiel.

Há cinco anos foi candidato a Presidente da República, tendo conseguido 3,28% dos votos, e em 2019 fundou o partido RIR (Reagir, Incluir, Reciclar), tendo anunciado a segunda candidatura a Belém em 13 de setembro, no Porto.