Francisco Pinto Balsemão, fundador e militante do número um do PSD, antigo primeiro-ministro, morreu esta terça-feira, aos 88 anos, e a candidatura de Luís Marques Mendes decidiu cancelar as ações de campanha previstas para os próximos dias.
"Todas as ações de campanha agendadas para os próximos dias serão canceladas por respeito à memória de Francisco Pinto Balsemão, Presidente da Comissão Política desta candidatura", lê-se na nota divulgada pela candidatura.
Acrescenta-se ainda que Luís Marques Mendes, antigo presidente do PSD e membro do Conselho de Estado, fará uma declaração aos jornalistas esta quarta-feira, junto à Assembleia da República, pelas 16:00.
Numa primeira reação à morte do fundador do PPD, atual PSD, Marques Mendes considerou que Francisco Pinto Balsemão teve um percurso politico notável, destacando o seu papel na revisão constitucional de 1982.
"Este é, talvez, o facto mais desvalorizado habitualmente na vida política mas é, a meu ver, talvez, o facto mais marcante e histórico de toda a sua vida em democracia. E que foi histórica para Portugal, acabou com o Conselho da Revolução, introduziu a consolidação civil do nosso regime. Acho que ele ainda hoje não foi devidamente homenageado pelo papel notável que teve nesse ano e nessa revisão da Constituição", disse na antena da SIC Notícias.
Ainda de acordo com o antigo ministro dos governos de Cavaco Silva, Francisco Pinto Balsemão constitui "um exemplo e uma referência absolutamente incontornável na liberdade de imprensa e na liberdade de informação em Portugal".
"Jornalista, fundador do Expresso ainda antes do 25 de Abril, sabendo nós o contributo decisivo que o Expresso teve para o combate ao regime. Depois, foi fundador da SIC e um grande lutador pela iniciativa privada no domínio da televisão", acrescentou.
A notícia da morte do militante número um do PSD foi transmitida pelo presidente social-democrata e primeiro-ministro, Luís Montenegro, durante uma reunião do conselho nacional do partido, em Lisboa.
Balsemão foi fundador, em 1973, do semanário Expresso, ainda durante a ditadura, da SIC, primeira televisão privada em Portugal, em 1992, e do grupo de comunicação social Impresa.
Em 1974, após o 25 de Abril, fundou, com Francisco Sá Carneiro e Magalhães Mota, o Partido Popular Democrático (PPD), mais tarde Partido Social Democrata PSD. Chefiou dois governos depois da morte de Sá Carneiro, entre 1981 e 1983, e foi, até agora, membro do Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República.

