Francisco Pinto Balsemão

Expresso, o projeto de Balsemão que devolve a cor (possível) a um país preto e branco

O dia 6 de janeiro de 1973 mudou para sempre o sábado dos portugueses. Os mesmos que pouca experiência tinham no exercício do voto; o que até nem admira: sempre mergulhado em si mesmo, o regime é parco e avaro em matéria de pluralidade política. E até a fugaz primavera rapidamente transforma a promessa de novidade em certeza de continuidade.

Pinto Balsemão numa reunião editorial do jornal Expresso
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São muitos os desafios para os que clamam na prosa um desejo de liberdade. Contida e condicionada no arbítrio da censura que, no traço azul de um lápis, devolve a cor possível a um país preto e branco.

Cada corte é um convite à força da criatividade, à entrega de um projeto cada vez mais cerceado pela intromissão de um desígnio exposto sem qualquer reserva ao signo da incompatibilidade.

A Revolução pôs fim ao sobressalto sem anular a incerteza. O semanário dos sábados não deixou de o ser e a agitação do momento foi incapaz de alterar a ordem natural do projeto que contava 15 meses de vida.

Aconteceu o 25 de novembro e as vicissitudes da jovem democracia foram expostas urbi et orbi. O Expresso, nas suas edições extra, foi testemunha e testemunho de um tempo que confirmou uma das suas missões: dar expressão e relevo a pessoas e ideias que ajudaram a formar o Portugal democrático.

NUNO FOX