Francisco Pinto Balsemão

As 'Memórias' de Francisco Pinto Balsemão: "Quis deixar aos meus filhos e netos uma ideia do que foi a minha vida"

Editado em 2021, um livro que é também uma viagem por mais de oito décadas de um legado ímpar e de experiências marcantes no campo político, mas também familiar: "Quando estive a escrever este livro, cheguei à conclusão de que sabia muito menos sobre a vida dos meus pais do que aquilo que eu gostaria de ter sabido".

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Terá sido o Nobel da Literatura Saul Bellow que terá dito um dia que todos nós precisamos das nossas memórias, pois são elas que afastam da porta os lobos da insignificância. Confiá-las ao mundo será, pois, uma forma de partilha que significa também uma certa forma de legado.

"Eu achei que tinha muitas coisas para contar, alguma experiência para comunicar, e também quis deixar aos meus filhos, aos meus netos, à minha descendência, uma ideia daquilo que tinha sido a minha vida. Até porque eu, quando estive a escrever este livro, cheguei à conclusão de que sabia muito menos sobre a vida dos meus pais do que aquilo que eu gostaria de ter sabido", confessou Francisco Pinto Balsemão, em entrevista à SIC.

Um testemunho na primeira pessoa em que o autor mergulha na reminiscência de uma infância mais singular que plural.

Não será fácil resumir em livro 84 anos de uma vida consagrada à comunicação social, às empresas, à política. Desta última, recordam-se os tempos mais pacíficos, os nem sempre fáceis e o mais difícil: "Foi o momento em que tive de suceder a Francisco Sá Carneiro, naquelas circunstâncias trágicas. (…) Resolvi assumir as responsabilidades".

“O general Eanes foi ondulante”

Fora do partido, as memórias de Francisco Pinto Balsemão invocam memórias de momentos algo inusitados por parte de um outro agente político da época.

"O general Eanes foi ondulante. Eu escrevo no livro que quando ele achava que eu estava numa posição de fraqueza ele apoiava-me e quando achava que eu estava numa posição de força tentava diminuir-me. Não sei se é verdade, é melhor perguntar-lhe a ele, mas foi assim que eu interpretei", afirma Pinto Balsemão.

As memórias são o diário que todos transportamos. Nas palavras de Oscar Wilde, assentam sem esforço na longevidade refletida de um diário aberto à leitura, ao escrutínio do gosto e da análise, à revisitação dos eventos e dos protagonistas de uma história de décadas que é, ela própria, a história de um país.