O candidato presidencial Luís Marques Mendes sugeriu hoje a criação do prémio "Liberdade de Imprensa, Francisco Pinto Balsemão", para homenagear o fundador do Expresso e incentivar trabalhos jornalísticos que prossigam a sua obra "em favor da liberdade de imprensa".
Numa declaração aos jornalistas à porta da Assembleia da República, em Lisboa, Marques Mendes "deixou a sugestão à sociedade, para ser refletida numa perspetiva construtiva" de que se crie, no futuro, um prémio para "recordar o notável exemplo de Francisco Pinto Balsemão na comunicação social" e "incentivar trabalhos jornalísticos que possam continuar a sua obra em favor da liberdade de imprensa".
O candidato presidencial considerou que Pinto Balsemão teve na defesa da liberdade de imprensa o seu "traço mais marcante, consensual e impressivo da sua vida", sublinhando a fundação do Expresso e a criação da SIC.
"Foi um paladino. Eu acho que tudo isto é muito pouco português. Mas acho que tudo isto é muito inspirador", acrescentou.
Para Marques Mendes, "morreu um senador da República, da democracia e da comunicação social", mas ficará "para sempre o seu notável exemplo de vida".
Um "homem com mundo, muito culto, vivido e informado"
O candidato presidencial apoiado pelo PSD recordou ainda Balsemão como "um aristocrata das boas maneiras" e um "homem com mundo, muito culto, vivido e informado", sublinhando a sua "vida política notável" como fundador do PSD, deputado, ministro e primeiro-ministro.
Recordando o seu papel na chamada "crise das opções inadiáveis" no PSD, em 1978, Mendes defendeu "que se não tivesse sido a visão estratégica de Balsemão, porventura o partido teria uma crise fatal".
O candidato a Belém lembrou também a responsabilidade do antigo primeiro-ministro na revisão constitucional de 1982, recordada como "uma espécie de 25 de Abril constitucional" em que "acabou a legitimidade revolucionária" e se "passou à legitimidade democrática".
"Passámos a ter uma democracia como hoje, à europeia e à ocidental. O grande arquiteto desta mudança foi Francisco Pinto Balsemão", disse.
Francisco Pinto Balsemão, antigo líder do PSD, ex-primeiro-ministro, morreu na terça-feira aos 88 anos. Foi fundador, em 1973, do semanário Expresso, ainda durante a ditadura, da SIC, primeira televisão privada em Portugal, em 1992, e do grupo de comunicação social Impresa.
Em 1974, após o 25 de Abril, fundou, com Francisco Sá Carneiro e Magalhães Mota, o Partido Popular Democrático (PPD), mais tarde Partido Social Democrata PSD. Chefiou dois governos depois da morte de Sá Carneiro, entre 1981 e 1983, e foi até à sua morte membro do Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República.

