O presidente do Chega, André Ventura, acusou, esta segunda-feira, a coordenadora do BE, Mariana Mortágua, de vitimização, e criticou o Governo por ter ido receber os ativistas que integraram a flotilha humanitária Global Sumud.
O presidente do Chega afirmou que Mariana Mortágua "quis colocar-se numa situação de vitimização perante o país" e considerou que "não correu muito bem, pelo menos a avaliar pela reação que veio das pessoas, de grande indignação".
André Ventura acusou também a bloquista de querer "criar um número, a não sei quantos milhares de quilómetros daqui, quando o país tem sérias dificuldades".
"Uma palhaçada, um disparate de alguém que virou as costas à luta, virou as costas ao país e junta um conjunto de radicais, de pessoas que acham que não é importante lutar pelas pensões, pelos impostos, pela segurança em Portugal, mas é importante lutar pela segurança em Gaza e pelos impostos em Gaza. Quem paga o salário à Mariana Mortágua, não são os habitantes de Gaza, são os habitantes aqui deste país", defendeu.
IL acusa flotilha humanitária de ter desviado atenção das negociações
A presidente da Iniciativa Liberal (IL) acusou a flotilha humanitária de ter desviado a atenção das negociações de paz na Palestina, criticando, mais uma vez, a opção da líder do BE de tentar levar ajuda a Gaza.
"Não é assim que se resolvem as questões" e a "verdade é que estivemos muito tempo a assistir ao desenvolvimento da viagem quando o foco deve estar nos avanços que estamos a fazer ao nível internacional" para obter "acordos de paz que permitam resolver o conflito naquela zona" e libertar "a Palestina do Hamas, garantindo que nos livramos de uma organização terrorista", afirmou Mariana Leitão, em campanha em Leiria.
A líder da IL disse ter "sérias dúvidas" que Mariana Mortágua quisesse levar, de facto, ajuda humanitária:
"É pouco credível acharmos que uma deputada da nação, que tem pleno conhecimento de como é que estas coisas funcionam, achasse que conseguia chegar a Gaza, com a sua flotilha, e entregar ajuda humanitária".
Sobre a chegada dos quatro ativistas a Portugal, domingo à noite, Mariana Leitão salientou que é "uma boa notícia terem chegado todos bem, estarem todos em segurança" e destacou "o trabalho dos serviços consulares, que estiveram desde a primeira hora a acompanhar toda a situação e que garantiram este regresso em segurança".
Raimundo saúda chegada de ativistas e pede que mobilização continue
O secretário-geral do PCP saudou a chegada dos ativistas portugueses que integraram a flotilha destinada a Gaza, considerando "muito positivo" que tenham chegado "aparentemente bem fisicamente", e pediu que mobilização da população portuguesa pela Palestina continue.
Em declarações aos jornalistas durante a tradicional arruada na Rua de Santa Catarina, no Porto, salientou que os quatro ativistas chegaram "aparentemente bem fisicamente", apesar de "certamente cansados e com uma grande pressão".
"Isso é um aspeto muito positivo", frisou Paulo Raimundo, que defendeu que agora é necessário que a mobilização do povo português em prol da causa palestiniana se "continua a afirmar".
"Há três aspetos fundamentais que são precisos resolver de imediato: o cessar-fogo e o fim do genocídio, o reconhecimento dos direitos nacionais do povo da Palestina e a entrada imediata de ajuda humanitária", disse
Para o secretário-geral do PCP, o Governo português tem "de fazer tudo para que isso se conquiste e não andar enrolado atrás das agendas dos outros que não são as agendas do povo português".
Montenegro diz que Governo fez tudo para repatriar ativistas "com rapidez e normalidade"
O primeiro-ministro afirmou que o Governo português fez tudo para repatriar os ativistas detidos por Israel "com normalidade" e rapidez, e defendeu o equilíbrio da posição do executivo.
- "A verdade é que o Governo fez tudo aquilo que estava ao seu alcance, para que os portugueses pudessem ser repatriados o mais rápido possível, num clima de normalidade e tranquilidade. E creio que foi isso que aconteceu", disse Luís Montenegro.
- Montenegro acusa BE de ter feito menos pela Palestina do que o atual Governo
