A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) acusou Israel de cometer "crimes de guerra" durante várias operações militares na Cisjordânia ocupada, que resultaram na deslocação forçada de, pelo menos, 32 mil refugiados palestinianos.
Num relatório, a organização não-governamental instou o Governo israelita a "permitir imediatamente o regresso" dos palestinianos aos campos de refugiados de onde foram expulsos em janeiro e fevereiro.
Nadia Hardman, investigadora sénior da HRW, afirmou que as Forças de Defesa de Israel "expulsaram à força" os refugiados dos campos de Jenin, Tulkarm e Nur Shams, "desrespeitando as proteções legais internacionais e impedindo o seu regresso".
Com a atenção global focada na Faixa de Gaza, acrescentou Hardman, as forças israelitas "cometeram crimes de guerra, crimes contra a humanidade e limpeza étnica na Cisjordânia, que devem ser investigados e os responsáveis processados".
A HRW recolheu informações através de 31 entrevistas realizadas entre março e agosto a palestinianos deslocados, para além de ter analisado imagens de satélite, verificado vídeos e fotografias e consultado documentos do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, assim como ordens de demolição divulgadas nas redes sociais.
A organização afirma que as incursões israelitas envolveram tropas terrestres, tanques, helicópteros, 'drones' e escavadoras, que invadiram casas e destruíram infraestruturas nos três campos, situados no norte da Cisjordânia.
Testemunhos recolhidos pela HRW e vídeos verificados pela organização mostram ataques contra civis, incluindo o assassínio de um homem em Jenin e de duas mulheres em Nur Shams.
Uma avaliação feita em outubro pelo Centro de Satélites das Nações Unidas determinou que 1.460 edifícios foram danificados, incluindo 652 com danos moderados, o que sugere uma destruição generalizada e injustificada em áreas residenciais.
A HRW sublinha que o direito internacional humanitário proíbe a deslocação forçada de civis em territórios ocupados e exige que o seu regresso seja permitido após o cessar das hostilidades.
A organização afirma que Israel não apresentou provas de objetivos militares que justificassem a expulsão de todos os refugiados dos campos, nem forneceu percursos seguros, abrigo, alimentação ou assistência médica durante a deslocação.
Além do regresso imediato dos deslocados, a HRW apelou à comunidade internacional para que imponha sanções, incluindo proibições de viagem e congelamento de bens, contra altos funcionários israelitas - incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa Israel Katz - que considera "credivelmente implicados" em abusos graves.
Segundo dados da ONU, desde a ataque do movimento islamita Hamas contra Israel em 07 de outubro de 2023, operações israelitas resultaram na morte de quase mil palestinianos na Cisjordânia.

