Guerra Rússia-Ucrânia

Rússia continua a torturar ucranianos em Izium, denuncia Human Rights Watch

Rússia continua a torturar ucranianos em Izium, denuncia Human Rights Watch
Evgeniy Maloletka

Sobreviventes dizem ter sido submetidos a choques elétricos, afogamento, espancamentos graves e ameaças com armas.

A organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) acusou as forças russas e outros soldados que operam sob o seu comando de torturarem dezenas de pessoas de forma continuada durante a ocupação de Izium, cidade na região ucraniana de Kharkiv.

De acordo com um relatório desta organização, vários sobreviventes descreveram ter sido submetidos a choques elétricos, afogamento, espancamentos graves e ameaças com armas, identificando pelo menos sete locais na cidade de Izium, incluindo duas escolas, onde disseram que os soldados os detiveram.

A HRW está convencida de que os abusos em Izium "não foram incidentes aleatórios" e foram cometidos também por pessoas que atuaram sob controlo de forças russas.

"Várias vítimas compartilharam relatos fiáveis de experiências semelhantes de tortura durante interrogatórios em instalações sob o controlo das forças russas e dos seus subordinados, indicando que esse tratamento fazia parte de uma política e plano", disse o investigador sénior Belkis Wille.

Relatos de tortura

No final de setembro e início de outubro, a HRW falou com mais de 100 pessoas em Izium - que estiveram aí durante a ocupação russa da cidade, de março a início de setembro deste ano -- e quase todos disseram ter um familiar ou amigo que tinha sido torturado.

As forças russas usaram sete instalações em Izium para prender e torturar residentes durante o período de ocupação, incluindo duas escolas, onde mantiveram os detidos, após terem sido retirados das suas casas ou capturados num mercado ao ar livre.

As pessoas que foram torturadas relataram episódios em que receberam choques elétricos ou foram espancados com as mãos, coronhas de espingardas, canos de metal, canos de plástico, mangueiras de borracha ou sacos de areia.

Um homem disse que foi detido por cinco vezes e torturado várias vezes durante cada detenção e uma mulher relatou ter sido espancada e ameaçada de violação.

Todos os detidos disseram que foram obrigados a revelar os nomes dos habitantes de Izium que serviram nas forças de segurança ou nas forças de Defesa Territoriais.Muitos dos detidos denunciaram ainda terem sido roubados de dinheiro, jóias ou carros.

A HRW apela agora a outras organizações para que se instalem na região de Kharkiv, para apoiar as vítimas de tortura, nomeadamente com ajuda psicológica.

"Ainda estamos a aprender sobre o alcance dos crimes cometidos contra pessoas em Izium durante a ocupação russa, mas parece claro que os sobreviventes precisam de assistência, agora", defendeu Wille.

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