Guerra Rússia-Ucrânia

Embaixador ucraniano acusa Rússia de preparar "desastre de grande escala"

Embaixador ucraniano acusa Rússia de preparar "desastre de grande escala"
Bebeto Matthews

Enquanto o diplomata ucraniano discursava, o embaixador russo junto da ONU abandonou a sala do Conselho de Segurança.

O embaixador ucraniano junto à ONU acusou hoje a Rússia de estar a preparar terreno para um "desastre de grande escala" no sul da Ucrânia, ao minar a barragem de Kakhovka, uma das maiores centrais energia do país.

Numa reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação na Ucrânia, o diplomata ucraniano, Sergíy Kyslytsya, indicou que a barragem em causa tem cerca de 18 milhões de metros cúbicos de água, pelo que se os russos fizerem essas instalações explodir, "mais de 80 assentamentos, incluindo Kherson, com centenas de milhares de pessoas que lá residem, estarão numa área de rápida inundação".

“O abastecimento de água de grande parte do sul da Ucrânia pode ser destruído. Esse ataque terrorista russo pode deixar a central nuclear de Zaporijia sem água para resfriamento, pois essa água é retirada do reservatório de Kakhovka”.

Nesse sentido, Kyslytsya considerou ser necessária uma missão de observação internacional dirigida à central hidroelétrica de Kakhovka.

"Também é necessário garantir a desminagem imediata e profissional da própria barragem", acrescentou.

Embaixador russo abandona sala

Enquanto o diplomata ucraniano discursava, o embaixador russo junto da ONU, Vasily Nebenzya, abandonou a sala do Conselho de Segurança.

"O embaixador russo acabou de sair da sala. Lamento que o Conselho de Segurança ainda ouça este representante russo. Ele espalha mentiras, atrás de mentiras, em todas as sessões, desde que a guerra começou", afirmou Kyslytsya, apresentando ao corpo diplomático presente na reunião uma série de declarações feitas pelo embaixador russo ao longo de vários encontros do Conselho, em que garantia que o objetivo da invasão da Ucrânia não era tomar o território ucraniano.

A reunião foi convocada pela França e pelo México, e concentrou-se na proteção de civis e infraestrutura crítica na Ucrânia.A subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz da ONU, Rosemary DiCarlo, e a coordenadora Humanitária da ONU para a Ucrânia, Denise Brown, fizeram um ponto da situação no terreno.

Guerra já fez 15.956 vítimas civis

DiCarlo, citando dados do Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos, indicou que, desde 24 de fevereiro, a guerra já fez 15.956 vítimas civis: 6.322 mortos e 9.634 feridos.

"Num desenvolvimento recente, a Rússia lançou uma série de ataques contra cidades e vilas de todo o país, atingindo infraestruturas críticas. (...) Além da perda imediata de vidas, as Nações Unidas estão gravemente preocupadas com a destruição de infraestruturas, como centrais de energia", disse DiCarlo.

"A ONU continua a apoiar todos os esforços de responsabilização. Por seu lado, a Comissão Internacional Independente de Inquérito da Ucrânia apresentou o seu relatório à Assembleia-Geral esta semana. O documento afirma que há motivos razoáveis para concluir que crimes de guerra e violações dos direitos humanos e do direito humanitário internacional são cometidos na Ucrânia desde 24 de fevereiro", frisou a subsecretária-geral.

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