A líder parlamentar do Partido Socialista diz que a posição do Bloco de Esquerda relativa ao Orçamento do Estado é “irrealista” e “causa estranheza”, uma vez que o documento resulta de negociações ao longo dos últimos meses e que todas as reivindicações do partido foram concedidas.
Catarina Martins rejeita chantagem inaceitável de António Costa
A coordenadora do BE considerou esta terça-feira inaceitável que o primeiro-ministro acuse comunistas e bloquistas por se juntarem à direita se chumbarem o Orçamento, afirmando que é o PS que "não negoceia", e rejeitou um país em duodécimos.
"Se não existir um orçamento o Governo pode apresentar outro", defendeu, considerando ser uma "irresponsabilidade deitar a toalha ao chão".
"O Bloco de Esquerda não arranjará desculpas para falhar. Espero que não seja isso [que o PM quer]. Espero que queira mesmo um Orçamento do Estado. É o que o BE quer", respondeu.
COSTA REÚNE-SE COM BLOCO, PCP E PAN PARA PROCURAR UM ACORDO
O primeiro-ministro, António Costa reúne-se em São Bento, com o BE, PCP e PAN para procurar um acordo para a viabilização da proposta do Governo de OE2021, tendo na quarta-feira um encontro com o PEV, outro dos parceiros parlamentares do PS desde novembro de 2015.
A Assembleia da República começa a 27 de outubro - próxima terça-feira - a debater a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2021, estando a votação na generalidade marcada para o dia seguinte, 28.
Até agora, o Executivo de António Costa ainda não dispõe de quaisquer garantias políticas dos parceiros parlamentares dos socialistas para a viabilização do Orçamento e considera-se que esta semana será "decisiva" em relação aos resultados das negociações.
Na segunda-feira, à noite, em entrevista à TVI, interrogado se tenciona demitir-se caso seja forçado a governar por duodécimos, o primeiro-ministro respondeu: "Se há coisa que eu não contribuirei nunca é para haver crise política no contexto desta crise pandémica, desta crise económica e desta crise social".
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