Vacinar Portugal

“Se tivesse a vacina da AstraZeneca à disposição daria hoje aos meus pais”

Bernardo Gomes considera que o tempo para prestar esclarecimentos associados à suspensão da vacina vai ser uma "fatura" desta decisão.

A administração da vacina da AstraZeneca foi retomada esta segunda-feira em Portugal continental, depois da suspensão temporária decretada pelo Infarmed e pela Direção-Geral da Saúde na semana passada. Bernardo Gomes, médico de saúde pública e professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, considera que o regresso deste fármaco torna as coisas "um bocadinho mais solarengas”.

“Isto é uma maratona, isto é passo a passo. Efetivamente, as coisas são um bocadinho mais solarengas, do ponto de vista de vacinação, nesta segunda-feira do que na semana passada, quando estávamos com de alguma ansiedade em relação ao que ia ser dito sobre a vacina da AstraZeneca”, diz Bernardo Gomes em entrevista à Edição da Tarde.

O médico acrescenta que entre os profissionais de saúde houve “algumas dúvidas no que toca à pertinência da suspensão” da vacina da AstraZeneca e acrescenta que a “fatura” dessa decisão será paga em tempo: tempo em que podiam ter sido vacinadas mais pessoas e tempo que será utilizado a esclarecer as dúvidas da população.

“Uma fatura que vamos pagar é a questão do tempo que vamos ter de gastar a falar com as pessoas e tentar esclarecer dúvidas”, explica, acrescentando que “o fenómeno de hesitação vacinal não é algo de novo, é algo contínuo”.

No que toca a prazos para alcançar a tão esperada imunidade de grupo, o professor não se compromete com datas – e deixa elogios à comunicação feita pelo coordenador da task force, o vice-almirante Gouveia e Melo.

“Vale a pena nós defendermos um pouco no que diz respeito à dita imunidade de grupo. O que nós queremos é avançar para uma cobertura vacinal correspondente àquilo que seria a proporção de indivíduos vacinados para obter a tal imunidade de grupo. Nós não sabemos, efetivamente, se vamos conseguir a tal imunidade de grupo ou se é aquilo que queremos é uma espécie de proteção coletiva alargada”, esclarece, lembrando a existência das variantes, “que podem fazer com que a tal imunidade de grupo não seja alcançada”.