Vacinar Portugal

Covid-19. Perto de 170 mil professores vão ser vacinados este fim de semana

FERNANDO VELUDO

A vacinação em massa foi retomada, depois de ter sido adiada na semana passada.

Quase 170 mil professores e funcionários das escolas vão receber a primeira dose da vacina contra a covid-19 entre sábado e domingo, depois de o processo ter sido adiado uma semana devido a novas restrições.

De acordo com a 'task-force' responsável pelo plano, até à manhã de sexta-feira já tinham sido enviados mais de 187 mil SMS para o agendamento da vacinação, que irá decorrer entre hoje e domingo, envolvendo quase todos os profissionais do ensino não superior.

No início da semana passada, os mesmos professores e funcionários começaram a receber a convocatória para o "grande exercício" de vacinação contra a covid-19, como lhe chamou o ministro da Educação, que estava previsto para o passado fim de semana.

Os planos foram, no entanto, adiados pela decisão da Direção-Geral da Saúde (DGS) de recomendar a administração da vacina da AstraZeneca contra a covid-19 em pessoas acima dos 60 anos de idade.

As novas restrições na utilização da vacina inicialmente destinada aos profissionais do ensino obrigou, então, a atrasar uma semana o processo de inoculação.

Fenprof denuncia exclusão propositada de professores

Fenprof acusa o Governo de excluir propositadamente alguns professores da campanha de vacinação. Mário Nogueira avança ainda que os docentes que sofreram reações adversas à primeira dose fora abandonados.

“É incompreensível que haja professores que até agora não contaram de nenhuma lista, nem da outra vez nem agora. Alguns deles professores que nunca chegaram a sair das escolas, o caso de colegas de educação especial. Há professores que foram excluídos e o ministério assume a exclusão”, afirma o secretário-geral da Fenprof.

Para além da exclusão de determinados professores, Mário Nogueira denuncia ainda que os docentes “têm de pagar” caso tenham reações adversas à vacina.

“Houve colegas que, por reações alérgicas ou por febres altas, foram obrigados a ficar em casa. Obrigaram-nos a meter atestado médico, cortaram-lhes até três dias de salário. Ou seja, os professores, e os outros trabalhadores da administração pública, têm de pagar se tiverem reações à vacina. Isto não tem nenhum sentido”, diz, acrescentando que a resposta dada pelas autoridades é que o programa não é obrigatório.

Vacinação dos professores é "grande teste" para vacinar em massa

O coordenador do plano de vacinação, o vice-almirante Gouveia e Melo, lembra que este fim de semana é um grande teste para iniciar o processo de vacinar 100 mil pessoas por dia. Sobre os professores excluídos das listas, Gouveia e Melo garante que ninguém será esquecido.

“A avaliação é muito positiva: vejo um espaço muito organizado, vejo profissionais muito empenhados e vi um fluxo de pessoas a serem vacinadas em que não há filas de espera e tudo está a correr muito bem”, disse o vice-almirante, durante a visita a um dos centros de vacinação, acrescentando que “este processo é o grande teste para vacinarmos 100 mil pessoas todos os dias”.

Gouveia e Melo foi ainda questionado sobre o caso dos professores que não receberam convocatória para a administração da vacina, denunciado pela Fenprof. O vice-almirante sublinha que “ninguém está esquecido”.

“Se houve docentes e não docentes que não foram incluídos por falha do processo serão novamente incluídos dentro do processo de vacinação normal, com a mesma prioridade que têm agora”, garantiu.

Ministro da Educação pede que não tenham medo de ser vacinados

Tiago Brandão Rodrigues diz que as escolas que reabrem esta segunda-feira podem ser um exemplo para outros setores. O ministro da Educação deixou ainda um apelo aos professores e funcionários para que não tenham medo de ser vacinados, apesar do adiamento do processo e das restrições impostas à vacina da AstraZeneca.

“Nós queremos é que esse adiamento e o que as vicissitudes que acabaram por levantar as decisões europeias, munidas e nacionais relativamente à AstraZeneca não condicionem a confiança de nenhum português”, disse o ministro durante uma visita ao centro de vacinação da Amadora.

Tiago Brandão Rodrigues acrescentou ainda que acredita que as regras que são aplicadas ao ensino presencial “também podem existir fora das escolas”, reforçando que as escolas estão preparadas.

“O lugar dos nossos alunos, dos nossos professores é claramente dentro das escolas no ensino presencial”, concluiu.

Vacinação no Algarve

Na região do Algarve, está prevista a inoculação de 1.700 docentes e não docentes, seguindo um ritmo de 40 pessoas por hora. A convocatória foi feita durante a semana.

A inoculação da comunidade escolar traz tranquilidade, numa altura em que o ensino secundário e superior regressa ao ensino presencial a partir de segunda-feira.

Vacinação em Coimbra

Os professores chegam ainda antes das 09:00 para proceder ao registo. Em Coimbra prevê-se a vacinação de quase 2.200 de pessoas este sábado. O processo de vacinação vai ser estendido de forma excecional até às 20:00 para responder ao elevado número de pessoas convocadas.

Vacinação em Bragança

No concelho de Bragança foram convocadas 1.000 pessoas. A vacinação dos docentes e não docentes irá decorrer em vários pontos do concelho. No total, foram convocados perto de 3.000 pessoas, tendo 2.500 confirmado a presença este fim de semana.

Grande maioria aceita tomar a vacina

Já na altura, na véspera de conhecerem a decisão da DGS, os diretores escolares e sindicatos davam conta de uma vontade generalizada entre os profissionais para serem vacinados, apesar de alguma insegurança motivada pela polémica em torno da AstraZeneca.

Essa vontade volta a confirmar-se uma semana depois e agora com uma vacina diferente, apesar de a 'task-force' não confirmar qual será administrada, afirmando apenas que serão "as vacinas disponíveis e elegíveis no momento".

Entre os docentes e não docentes que já foram contactados, a grande maioria (89%, o equivalente a cerca de 166 mil) confirmaram o agendamento. Por outro lado, cerca de 3% dos profissionais responderam que não vão ser vacinados para já.

"Estas respostas são referentes ao agendamento proposto e não ao ato de vacinação e podem ser causadas por diversos motivos, como a indisponibilidade na data proposta", refere a 'task-force' em resposta enviada à Lusa.

De acordo com a mesma fonte, "as pessoas que recusarem o agendamento, nesta altura de maior escassez de vacinas, voltarão a ser contactadas num período posterior, em que exista maior disponibilidade de vacinas".

Tiago Brandão Rodrigues vai acompanhar processo

O processo vai ser acompanhado pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, que vai estar este sábado no pavilhão municipal Rita Borralho, da escola EB 2/3 Cardoso Lopes, na Amadora, com a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, e os secretários de Estado da Educação, Inês Ramires, e da Saúde, Diogo Serras Lopes.

O primeiro exercício de vacinação do pessoal das escolas decorreu no fim de semana de 27 e 28 de março, em que foram vacinados mais de 60 mil professores e não docentes do ensino pré-escolar e do 1.º ciclo do ensino público e privado.

Na altura, alguns profissionais não tiveram a oportunidade de ser vacinados, mas foram posteriormente identificados e incluídos nas listas para o sábado e domingo.

  • Investir agora na infância para poupar no futuro

    Desafios da Mente

    Assegurar o desenvolvimento saudável de todas as crianças é essencial para as sociedades que procuram alcançar o seu pleno potencial sanitário, social e económico. A prevenção da adversidade precoce deve ser uma preocupação diária e não apenas assunto no mês de abril, mês Internacional da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância. Os Governos, as famílias, as comunidades e as organizações devem ser envolvidas a fim de alcançar estes objetivos.