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Apelo à vacinação. Centro de São Domingos de Rana regista 600 faltas

Profissionais de saúde destacam a importância da vacinação no combate à pandemia.

As autoridades de saúde estão a renovar os apelos à população para que não faltem ao agendamento da vacina contra a covid-19. No centro de vacinação de São Domingos de Rana, no concelho de Cascais, foram registadas 600 faltas só este domingo.

“Não sabemos se é porque vêm aí as férias – há muitas pessoas a pedirem o adiamento das suas vacina, há muitas pessoas a recusar a vacina –, mas eu gostaria de apelar a que não o fizessem. É importantíssimo que a população esteja vacinada e que, a nível nacional, consigamos atingir uma percentagem significativa para que a gente consiga combater esta pandemia”, afirma Carla Aires, enfermeira no centro de vacinação.

O autoagendamento da toma da vacina contra a covid-19 já está disponível para pessoas a partir dos 25 anos na plataforma da Direção-Geral da Saúde (DGS) destinada a estas marcações.

A vacinação contra a covid-19 arrancou na semana passada para os maiores de 18 anos mas, nesta altura, a marcação online está disponível apenas para as pessoas com mais de 25 anos.

Este processo de autoagendamento permite que os cidadãos selecionem o local e a data em que pretendem ser vacinados, recebendo depois uma mensagem SMS com a confirmação do dia, da hora e do centro de vacinação. A confirmação do agendamento implica que seja enviada resposta ao SMS.

Para jovens indecisos sobre a vacinação, mudar a comunicação é o melhor remédio

A indecisão de alguns jovens relativamente à vacinação contra a covid-19 tem merecido a preocupação das autoridades, mas para dois especialistas o remédio mais eficaz passa por melhorar a comunicação e aproximá-la dessa faixa etária.

Por esta altura, a espera está quase a terminar para os mais jovens, mas, como também aconteceu noutras faixas etárias, nem todos estão ansiosos por arregaçar a manga e receber a primeira dose da vacina contra o vírus SARS-CoV-2.

De acordo com um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, divulgado no final de junho, 85,7% dos jovens entre os 16 e os 25 pretendem ser vacinado, mas 14,3% ainda não tinha, decidido.

Isto não significa que na "hora H" recusem a vacina, mas o número criou preocupação na opinião pública, nas autoridades de saúde e nos decisores políticos, que começaram a discutir possíveis formas de incentivar a adesão desta faixa etária.

"Nesta fase, é muito relevante não só que toda a gente seja vacinada, mas que toda a gente queira ser vacinada, confiando que isso é o melhor", sublinhou o psicólogo Tiago Pereira, que coordena o Gabinete de Crise covid-19 da Ordem dos Psicólogos, ouvido pela agência Lusa.

Para o especialista, é fundamental que os jovens compreendam e aceitem a importância e os benefícios de serem vacinados, para si mesmos e para a sociedade em geral, e que essa mensagem seja transmitida de forma positiva, sem criar a ideia de uma espécie de obrigação.

Maior oferta de vacinas permite acelerar ritmo de vacinação

Uma maior oferta de vacinas permitiu ao país aumentar o ritmo e atingir na sexta-feira 70% da população adulta vacinada contra a covid-19 com pelo menos uma dose, explicou este sábado o secretário de Estado da Saúde.

"Dissemos desde o início que o ritmo de vacinação seria o ritmo a que as vacinas chegassem a Portugal. Até agora, conseguimos isso. O aumento do ritmo, que, como é evidente, exige um esforço maior, tem sobretudo a ver com o maior número de vacinas que está a chegar ao país neste momento", disse à agência Lusa Diogo Serras Lopes.

O Ministério da Saúde anunciou este sábado que Portugal antecipou o compromisso assumido em janeiro pelo Governo, ao alcançar 70% da população acima de 18 anos vacinada com pelo menos uma dose até ao verão, e isto praticamente quatro meses após ter conseguido invacinar 80% das pessoas com mais de 80 anos e 80% dos profissionais de saúde.

Louvando um "trabalho conjunto de múltiplas instituições", entre autarquias, forças armadas e o Ministério da Administração Interna, o secretário de Estado insistiu que "o ritmo dependerá sempre daquilo que é a chegada das vacinas" e que "o ritmo será mantido ou até aumentado se necessário for, embora isso não seja previsível, dado o calendário expectável de chegada das vacinas a Portugal".

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