Portugal tem sido afetado por fenómenos meteorológicos extremos, responsáveis por danos significativos em infraestruturas, quedas de árvores, inundações, falhas no fornecimento de eletricidade e, em alguns casos, vítimas mortais. Entre estes episódios destaca-se a mais recente depressão Kristin, classificada como uma "ciclogénese explosiva".
A depressão Kristin provocou rajadas de vento muito fortes, com velocidades que chegaram perto dos 180 km/h. Para se perceber a sua intensidade, estes valores podem ser comparados com os de um furacão, de acordo com a Escala de Ventos de Furacões Saffir-Simpson, que vai de 1 a 5.
No entanto, importa salientar que, apesar de a "ciclogénese explosiva" e o furacão serem ambos grandes tempestades associados a áreas de baixa pressão, capazes de provocar ventos fortes e precipitação intensa, tratam-se de fenómenos meteorológicos distintos. As diferenças centram-se sobretudo na latitude em que se desenvolvem e na origem da energia que os alimenta, como explica "O Tempo".
As "ciclogéneses explosivas" ocorrem em latitudes médias, resultam do choque entre massas de ar e podem intensificar-se de forma rápida, afetando áreas muito extensas. Já os furacões formam-se nas regiões tropicais, sendo alimentados pelo calor das águas quentes do oceano, o que lhes confere uma estrutura mais organizada.
Que valores foram registados durante a depressão Kristin?
Categoria 1: 119-153 km/h
Por volta das 04:00, o IPMA registou, no Cabo Carvoeiro, em Peniche, uma rajada de vento de 149 km/h, equivalente à Categoria 1 de um furacão.
Ventos desta intensidade podem causar danos em telhados, revestimentos e calhas, partir grandes galhos ou derrubar árvores com raízes superficiais, além de provocar cortes de eletricidade que podem durar vários dias.
Em Leiria, a velocidade do vento atingiu os 142 km/h, enquanto na estação de Ansião foi registada uma rajada de 146 km/h.
Categoria 2: 154-177 km/h
Por volta das 05:00 horas, desta quarta-feira, na Base Aérea de Monte Real, foi registada uma rajada de 176 km/h, no limite da Categoria 2 de um furacão.
Ventos desta intensidade podem causar danos significativos em telhados e revestimentos, derrubar árvores e bloquear estradas, além de provocar cortes de eletricidade que podem durar vários dias ou semanas.
Categoria 3: 178-208 km/h
Pouco depois, o IPMA registou a rajada de vento mais forte que atingiu os 178 km/h. Comparando com a escala de furacões, esta velocidade situa-se na Categoria 3.
Se se tratasse de um furacão desta categoria, os danos seriam devastadores: casas e árvores sofreriam destruição significativa, estradas ficariam bloqueadas e o abastecimento de água e eletricidade poderia ser interrompido durante vários dias.
E se fossem valores superiores?
Nas categorias mais extremas da escala de furacões, os danos são catastróficos.
Na Categoria 4 (209-251 km/h), casas de madeira podem perder grande parte do telhado ou de algumas paredes, enquanto a maioria das árvores e postes de eletricidade é derrubada, isolando comunidades. Os cortes de energia podem durar semanas ou meses, deixando vastas áreas inabitáveis.
Na Categoria 5 (252 km/h ou mais), a destruição é ainda maior: muitas casas são totalmente arrasadas, árvores e postes caem, e grande parte do território permanece inabitável durante semanas.
[Artigo atualizado às 28 de janeiro às 20:37]
