Um pouco antes das quatro e meia da manhã, na madrugada da tempestade, o vento força a entrada de uma loja de sofás no Montijo e destrói parte do que existe no interior. Esta está longe de ser a rajada mais forte registada na noite do temporal.
Inicialmente, foram assinalados 178 km/h em Monte Real, sendo que surgiram dados acima dos 200 km/h em Soure, ou registos ainda por confirmar próximos dos 240 km/h perto da Figueira da Foz.
Três dias depois, e já com a situação de calamidade decretada, que se estende até domingo em 60 municípios, são cada vez mais os relatos de destruição que se espalham, acima de tudo, pela região Centro.
Moradores carregam telemóveis no carro da SIC
Há ainda cerca de 300 mil clientes sem energia, mais de 200 mil encontram-se na zona de Leiria. Aos escombros junta-se a escuridão e um apagão nas comunicações. Energia que alguns tentaram encontrar junto de um carro de exteriores da SIC, estando a ser espalhados pelo concelho dezenas de geradores, sobretudo para garantir os serviços essenciais.
Para se ter uma dimensão exata deste apagão, das 3.259 freguesias do país, mais de metade foram afetadas pela tempestade. A Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) descreve a tragédia que ficou, com estragos em habitações, áreas florestais e empresas entre Coimbra e Leiria.
Prejuízos podem chegar aos milhões de euros
Uma empresa de materiais de construção em Leiria, com mais de 40 anos, que dá emprego a 400 pessoas, sem ligação para o exterior, não consegue falar com as seguradoras.
As seguradoras pedem rapidez e falam em prejuízos de milhões de euros, ainda sem valor certo. Foram ativados os planos de emergência e as equipas foram reforçadas, com as participações a aumentarem até 200 por cento.
Têm-se multiplicado também os pedidos de ajuda. O desespero que se acumula levanta preocupações quanto ao abastecimento de comida ou de combustíveis. Em diversas localidades estão a ser montados pontos para a entrega de ajuda, não só para alimentar o corpo, mas também com lonas e plásticos para cobrir os telhados destruídos.
Voluntários vão ajudar nas limpezas em Leiria
Leiria colocou no terreno uma campanha para limpar a cidade. A primeira ação de voluntariado arranca este sábado. Há também várias corporações de bombeiros a caminho das zonas mais afetadas.
Em Porto de Mós surgem relatos de danos acentuados. Já o autarca de Pedrógão Grande fala em mais uma tragédia. No concelho de Ourém, sem água, sem luz e sem comunicações, o presidente da câmara descreve uma devastação completa.
DGS pede cuidados com água e alimentos
Perante a tragédia, são ainda várias as escolas que continuam fechadas. O desespero que nasce a partir dos escombros surge quase por todo o lado, por causa da desgraça que se abateu nesta região Centro. A Direção-Geral da Saúde (DGS) aconselhou a população a ter cuidado com a água e os alimentos.
A tudo isto juntam-se as cheias e, no meio de tanto, um bombeiro resgatou uma criança presa num lençol de água que cobriu parte da cidade de Águeda. Situação complicada também em Alcácer do Sal ou em Coimbra, com o Mondego a alagar as esplanadas ribeirinhas.