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Reaberta estrada que liga Norte de Moçambique ao resto do país

ANTÓNIO SILVA

O ciclone Kenneth passou no Norte de Moçambique depois de em março a zona centro do país ter sido atingida pelo ciclone Idai.

A principal estrada que liga Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, Norte de Moçambique, ao resto do país reabriu hoje ao trânsito depois de ter estado submersa no domingo, quatro dias após o ciclone Kenneth.


Hoje as águas baixaram e circula-se normalmente no troço afetado, bem como no resto da EN1, verificou a Lusa.
Um pedaço da estrada nacional 1 (EN1) ficou no domingo debaixo de um lençol de água com corrente junto a Mieze, a 15 quilómetros de Pemba, devido à chuva forte que encheu uma zona baixa de pastagem.


O escoamento existente não foi suficiente para libertar a água que transbordou por cima da estrada ao longo de cerca de um quilómetro.


Mesmo assim, vários carros passaram, com limitações, em direção a Pemba, mas no sentido inverso, à saída da capital, a polícia cortou a circulação até à descida das águas.


O ciclone Kenneth provocou estragos noutras sete estradas, sem alternativas de circulação, na província de Cabo Delgado.


Entre estes estragos destaca-se o corte na ponte sobre o rio Muangamula, cerca de 200 quilómetros a norte de Pemba, na única via asfaltada que liga o norte ao sul da província, bem como danos nas estradas de terra batida de acesso a zonas de Macomia, Quissanga, Mucojo e aos cais das embarcações que servem a ilha do Ibo.


Estes locais junto à costa foram os mais atingidos pelo ciclone, com mais população afetada e casas destruídas, mas aos quais está a ser difícil fazer chegar alimentos, abrigos e materiais para purificação de água.


Em Pemba verifica-se hoje um movimento normal nas ruas, com o comércio aberto e os transportes coletivos a funcionar, com o sol a espreitar timidamente por entre as nuvens, sem chuva e sem vento.


Nas praias de Pemba, dezenas de pessoas aproveitam esta manhã a maré baixa para apanhar marisco por entre a areia, as rochas e o lixo arrastado pela corrente das inundações.


"Isto já passou", diz um dos residentes, com um balde na mão, mas os alertas meteorológicos continuam.


O nível das águas baixou consideravelmente nos bairros mais inundados com a chuva forte e cheias repentinas de domingo, mas, apesar da melhoria, as autoridades mantêm ativos alertas devido às previsões de continuação de chuva.


As comunicações móveis e energia ainda não chegam a todas zonas que estavam cobertas antes do ciclone nos distritos afetados e uma parte da cidade de Pemba continua sem energia.


Em Pemba as comunicações móveis são também deficientes.


Os últimos dados oficiais, numa altura em que ainda decorrem levantamentos em zonas remotas, indicam que a passagem do ciclone Kenneth no norte de Moçambique na noite de quarta-feira para quinta-feira (24 para 25 de abril) provocou cinco mortos, sendo que as inundações repentinas de domingo em Pemba provocaram três.


Há 166.084 pessoas afetadas e 40 centros de acolhimento a funcionar com 37.696 pessoas, 7.389 das quais em situação vulnerável (tais como grávidas e idosos).


O ciclone Kenneth passou no norte de Moçambique depois de em março a zona centro do país ter sido atingida pelo ciclone Idai, que afetou 1,5 milhões de pessoas e provocou 603 mortes.

Lusa

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