Mundo

Terceira noite de protestos e violência na Bielorrússia. UE marca reunião de emergência

Vasily Fedosenko / Reuters

Milhares de pessoas que contestam resultado das Presidenciais têm sido detidas nos últimos três dias.

Os protestos contra a reeleição do Presidente Alexander Lukashenko prosseguem na Bielorrúsia, sobretudo na capital Minsk. A polícia é acusada de violência desmesurada e de ter detido milhares de pessoas nos últimos três dias.

A BBC, um dos poucos meios de comunicação autorizados a fazer reportagem no país, relata vários casos de violência policial. Conseguiu filmar alguns desses momentos.e a equipa de reportagem afirma ter sido também alvo de violência policial.

Vasily Fedosenko / Reuters

O Ministério do Interior bielorruso diz que a polícia deteve 1000 manifestantes na terceira noite de protestos e que 51 civis e 14 polícias ficaram feridos, avança a agência Reuters.

UE condena violência e agenda reunião extraordinária de MNE na sexta-feira

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, anunciou hoje a realização de uma reunião extraordinária de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia na próxima sexta-feira, para discutir questões "urgentes", como a situação na Bielorrússia.

"Vou convocar um Conselho extraordinário de Negócios Estrangeiros para esta sexta-feira à tarde. Discutiremos assuntos urgentes e abordaremos a situação no Mediterrâneo oriental, as eleições presidenciais na Bielorrússia, bem como os desenvolvimentos no Líbano", anunciou Borrell numa publicação na sua conta oficial na rede social Twitter.

Eleições não foram livres nem justas, afirma UE

Apesar de a agenda contemplar também as tensões entre Grécia e Turquia no Mediterrâneo oriental e a situação no Líbano após as explosões que devastaram Beirute, a reunião de sexta-feira -- que, segundo fontes do Conselho, se realizará por videoconferência - será marcada pela discussão em torno das eleições presidenciais de domingo passado na Bielorrússia, após as quais foram vários os pedidos, incluindo da Polónia, para que se celebrasse uma reunião extraordinária dos chefes de diplomacia da UE ainda antes do encontro informal agendado para 27 e 28 de agosto em Berlim.

Em cima da mesa estará a possibilidade de imposição de sanções à Bielorrússia, já equacionada na terça-feira pelos 27.

Numa declaração aprovada pelos 27 Estados-membros e divulgada pelo Alto Representante da União Europeia para a Política Externa, a UE denunciou que as eleições presidenciais não foram "nem livres nem justas" e ameaçou adotar sanções contra os responsáveis pela violência exercida contra manifestantes pacíficos.

"As eleições não foram nem livres nem justas. (...) Procederemos a uma revisão aprofundada das relações da UE com a Bielorrússia. Poderá implicar, entre outras, a adoção de medidas contra os responsáveis das violências registadas, das detenções injustificadas e da falsificação dos resultados das eleições", anunciaram em comunicado os 27 países.

A declaração europeia, emitida pelo gabinete de Josep Borrel, Alto Representante da UE para as Relações Externas, lamenta que, após o povo bielorrusso "ter demonstrado o seu desejo pela mudança democrática", as eleições não tenham decorrido de forma transparente e que as autoridades estatais tenham exibido "uma violência desproporcionada e inaceitável".

"Para mais, informações credíveis de observadores internos demonstram que o processo eleitoral não cumpriu os parâmetros internacionais aguardados num país que participa na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa [OSCE] ", acrescenta.

A UE sublinha que a sua relação com a Bielorrússia tinha melhorado desde a libertação dos presos políticos em 2015, mas alertou que estes vínculos "apenas podem piorar" caso não existam progressos em temas como os direitos humanos ou o Estado de direito.

Manifestantes contestam reeleição do Presidente Lukashenko

Milhares de pessoas têm contestado o resultado das eleições presidenciais na Bielorrússia que dizem ser uma fraude.

Os protestos surgiram depois de o Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, ter vencido as eleições com 80,23% dos votos.

O comentador da SIC, José Milhazes, considera que atualmente não se vêm forças "realmente capazes" de obrigar Lukashenko a ceder ou ir embora.

Candidata presidencial da oposição refugiou-se na Lituânia

A principal rival do Presidente, Svetlana Tikhanovskaya, que se recusou a aceitar os resultados e garantiu que seria a verdadeira vencedora, refugiou-se na Lituânia, disse esta terça-feira à France Presse o Governo de Vilnius.

Svetlana Tikhanovskaia "chegou à Lituânia e está em segurança", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Vilnius, numa altura em que os protestos da oposição se intensificam na Bielorrússia.

Violência tem marcado os protestos na Bielorrússia

A polícia na capital da Bielorrússia, Minsk, utilizou gás lacrimogéneo, granadas atordoantes e disparou balas de borracha pela segunda noite consecutiva para reprimir os protestos após as disputadas eleições presidenciais de domingo.

De acordo com as autoridades, um manifestante morreu quando um explosivo lhe disparou nas mãos - a primeira fatalidade confirmada desde o início dos confrontos.

Uma testemunha disse à AFP que pelo menos uma jornalista ficou ferida na perna.

Milhares de pessoas contestam o resultado das eleições presidenciais que dizem ser uma fraude.

Presidente no poder desde 1994

Desde a chegada de Alexander Lukashenko ao poder, em 1994, nenhuma corrente da oposição conseguiu afirmar-se na paisagem política bielorrussa. Muitos dos seus dirigentes foram detidos, à semelhança do que sucedeu neste escrutínio, e em 2019 nenhum opositor foi eleito para o parlamento.

Os resultados das últimas quatro eleições presidenciais não foram reconhecidos como justos pelos observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), que denunciaram fraudes e pressões sobre a oposição.

Pela primeira vez desde 2001, e por não ter recebido um convite oficial a tempo, a OSCE não esteve presente na votação para acompanhar os resultados.

Veja também:

  • 15:42