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Turquia pede à UE que cumpra "promessas" quanto à candidatura e aos refugiados

Francois Lenoir

Erdogan mostrou-se favorável à criação de uma cooperação mas estreita e eficiente com a União Europeia.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou este domingo que o país se vê como parte da Europa, mas pediu à União Europeia (UE) para cumprir as suas "promessas" quanto à candidatura turca e à questão dos refugiados.

Nas últimas semanas, os Estados-membros da UE levantaram a possibilidade de sanções contra a Turquia devido às missões turcas de exploração de gás no Mediterrâneo oriental.

"Sempre nos vimos como parte da Europa", disse Erdogan num discurso 'online' aos membros do partido no poder, citado pela agência AP.

"Escolhemos favorecer a Europa, desde que não nos obriguem a procurar outro lugar [...]. Cumpram as suas promessas ao nosso país, desde a adesão plena à questão dos refugiados. Vamos estabelecer uma cooperação mais estreita e eficiente juntos", acrescentou.

Em 1987, a Turquia apresentou a candidatura à UE e, há quatro anos, assinou um acordo com a União para administrar as rotas de migrantes em direção à Europa.

No entanto, as críticas sobre um retrocesso democrático em Ancara levaram à suspensão das negociações de adesão, enquanto ambos os lados se acusam de não implementar adequadamente o acordo de refugiados.

Ancara enviou navios de pesquisa e exploração para águas territoriais reivindicadas por Estados-membros da UE, designadamente a Grécia e Chipre, tendo desencadeado uma escalada militar durante o verão passado.

Antes de cimeira da UE em setembro passado, a Turquia retirou o navio de investigação Oruc Reis do Mediterrâneo oriental, mas o navio voltou no sábado e a Turquia anunciou que estenderia a sua missão até 29 de novembro.

Os líderes europeus reúnem-se em Bruxelas nos dias 10 e 11 de dezembro, e expressaram preocupações sobre a atividade turca no Mediterrâneo numa área que Ancara reivindica unilateralmente como sua zona económica. As tensões também subiram de tom devido aos insultos de Erdogan ao Presidente francês, Emmanuel Macron, e pela política externa da Turquia no norte de Chipre e no Azerbaijão.

Na semana passada, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Heiko Maas, pediu à Turquia para parar com as "provocações" no Mediterrâneo ou enfrentaria possíveis sanções.

O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, disse que a União está "a aproximar-se de um momento decisivo no seu relacionamento com a Turquia".

Numa tentativa de consertar as relações, Erdogan enviou na passada sexta-feira o seu porta-voz, Ibrahim Kalin, que frequentemente desempenha um papel nas relações exteriores, a Bruxelas.

Nas últimas duas semanas, Erdogan falou sobre planos para reformas judiciais e democráticas para acompanhar uma mudança na política económica, um sinal que alguns sugeriram ser uma tentativa de conquistar a Europa e a próxima administração do Presidente eleito Joe Biden nos Estados Unidos.