Morreu a jovem de 20 anos que foi baleada pelos militares, durante os protestos em Myanmar. Mya tornou-se o rosto da contestação aos generais que anularam a democracia e prenderam a Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi.
O toque dos finados ecoou esta sexta-feira em Rangun, a maior cidade de Myanmar. As lágrimas correram e acenderam-se velas por Mya Thwat Thwat Khaing, a jovem de 20 anos que morreu no hospital dez dias depois de baleada pelos militares.
Estudante e empregada num mercado da capital Neipidau, Mya participava numa manifestação contra o golpe de Estado. Foi atingida a tiro por um dos polícias ou soldados que protegem os centros de poder.
Nas últimas três semanas, as principais cidades têm sido palco de manifestações diárias que desafiam os homens-fortes do país. Professores, médicos e a emergente classe médica participam neste movimento de desobediência civil. Até os monges budistas apelam ao diálogo e ao restabelecimento da democracia.
A Junta Militar anulou os tímidos avanços dos últimos cincos anos e justificou o regresso à lei marcial com alegadas fraudes na votação de novembro. As eleições foram ganhas pela Liga Nacional de Aung San Suu Kyi. A Nobel da Paz e todos os líderes de oposição foram detidos.
A nível internacional, as sanções económicas e a pressão diplomática ainda não mudaram nada. A China, o maior parceiro do regime dos generais, bloqueou projetos de resolução no Conselho de Segurança da ONU, impediu uma condenação efetiva ao golpe de Myanmar e à repressão dos manifestantes pró-democracia.
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