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Eleições em Angola: mais de 14 milhões de pessoas chamadas às urnas

Eleições em Angola: mais de 14 milhões de pessoas chamadas às urnas
JOHN WESSELS
Cinco anos depois, os angolanos voltam a escolher o Presidente.

Esta quarta-feira, mais de 14 milhões de eleitores vão às urnas em Angola para decidir se o MPLA – o partido que governa o país desde a independência – se mantém no poder ou se os eleitores dizem sim ao apelo de mudança feito pela UNITA, de Adalberto Costa Júnior.

Numa altura em que cresce o receio da oposição que o processo seja pouco transparente, o Governo assegura que o será limpo e exemplar com vista à eleição dos 220 lugares da Assembleia Nacional.

Candidato do MPLA João Lourenço votou às 08:00

O candidato do MPLA que se recandidata a um novo mandato como Presidente da Republica, João Lourenço, votou hoje às 08:00, apelando aos eleitores a que exerçam o seu direito de voto.

"Acabámos de exercer o nosso direito de voto, é rápido e é simples", disse João Lourenço, exibindo o dedo indicador com tinta indelével e convidando os cidadãos eleitores a fazerem o mesmo.

SIPHIWE SIBEKO

No meio de uma enorme confusão de jornalistas que envolveram João Lourenço para registar o momento, o candidato do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) salientou que todos saem a ganhar: "é a democracia que ganha, é Angola que ganha", declarou.

Candidato da UNITA Adalberto Costa Júnior apela ao voto e critica processo

O líder da UNITA apelou ao voto dos angolanos nas eleições gerais de hoje, mas criticou os procedimentos eleitorais, dando o exemplo da sua mesa de voto em que os cadernos de eleitores não foram distribuídos aos fiscais.

A votar no bairro 28 de Agosto, em Luanda, um bairro de casas antigas e chão de terra, Adalberto Costa Júnior disse esperar que "os votos sejam todos contados" nas eleições em que a União Nacional para a Independência de Angola (UNITA), o principal partido da oposição, tenta destronar o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder).

"Fiz a minha atualização" do registo eleitoral e "percebi que fui deslocado para outro local", mas "fiquei satisfeito e votei no meio do meu povo e constatei que a votação está a ser feita sem cadernos eleitorais aos fiscais, apenas um caderno eleitoral na mesa", afirmou aos jornalistas Adalberto Costa Júnior, instantes depois de votar na Escola Estrela da Manhã, na zona do Kilamba.

JOHN WESSELS

"Ainda assim eu faço um apelo a todos os angolanos: vamos todos ao voto. Hoje é um dia histórico é um dia em que eu espero que todos votem em ambiente de absoluta tranquilidade e no respeito das leis", afirmou Costa Júnior.

O candidato da UNITA disse esperar que seja possível "cumprir com a festa que são as eleições" e que "os votos sejam todos, mas todos respeitados".

Embaixador de Angola em Portugal destaca importância do voto

O embaixador de Angola em Portugal, Carlos Alberto Fonseca, votou esta quarta-feira cedo, em Lisboa. Em declarações à SIC Notícias destacou a importância do voto.

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Como é feito o processo de voto em Angola?

Muito semelhante ao de Portugal. Os eleitores recebem um papel com a identificação dos partidos e colocam uma cruz ou um símbolo de certo naquele que querem votar. Depois, colocam um dedo na tinta indelével para garantir que cada eleitor só vota uma vez.

Esta é mais uma tentativa de garantir a transparência do processo.

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MPLA procura reeleição e UNITA apela à mudança

Numa campanha que ficou marcada pela morte do antigo Presidente José Eduardo dos Santos, João Lourenço, o seu sucessor, procura a reeleição. Depois de ter vencido em 2017 com mais de 61% dos votos, João Lourenço, de 68 anos, pede agora mais um mandato.

Garante que, se vencer, irá construir mais estradas, escolas ou hospitais e resolver dois dos principais problemas do país: o fornecimento de energia e de água.

Adalberto Costa Júnior, líder da UNITA, promete alterar a Constituição para reduzir os poderes do Presidente e acusa o MPLA de não ter conseguido retirar os angolanos da pobreza.

Nestas eleições gerais, a Comissão Nacional Eleitoral assegura não haver razões para duvidar da legalidade do processo. Ainda assim, oposição e alguns comentadores não deixam de levantar muitas dúvidas quanto aos cadernos eleitorais.

Além de MPLA e UNITA, concorrem a estes eleições outras seis forças políticas.

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Menos de 10% dos angolanos em Portugal estão aptos a votar

Esta é a primeira vez que os cidadãos angolanos fora do país vão poder votar. Em Portugal, há mais de 7 mil pessoas registadas para exercer o direito de voto.

A grande maioria dos 80.000 angolanos a viver em Portugal não vai votar porque não se inscreveu na embaixada. Há quem desconheça o processo e quem não se tenha inscrito por descrença na governação do país.

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