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PCP acusa Gobarchev de "destruir a União Soviética"

PCP acusa Gobarchev de "destruir a União Soviética"
MAXIM SHIPENKOV

O partido, que não apresentou nenhuma palavra de pesar, diz que o reconhecimento e rasgados elogios que lhe são despendidos pelos responsáveis dos EUA, da UE e da NATO “falam por si”.

O PCP emitiu hoje uma nota fortemente crítica do ex-líder soviético Mikhail Gorbachev, responsabilizando-o pela restauração do capitalismo na Rússia, sem qualquer palavra de pesar pela sua morte na terça-feira.

"Gorbachev foi um dos principais responsáveis pela destruição da União Soviética e a restauração do capitalismo na Rússia, quando o que se impunha era o aperfeiçoamento do socialismo", lê-se na abertura do breve comunicado de apenas um parágrafo e 123 palavras.

Para os comunistas, a intervenção de Gorbachev "contribuiu para abrir caminho à contra-ofensiva do imperialismo para recuperar as posições perdidas ao longo do século XX e impor a sua hegemonia no plano mundial, com as graves consequências que daí advieram para os direitos dos trabalhadores, a soberania dos povos, a segurança na Europa e a paz no mundo".

A comprovar esta ideia estão, segundo o PCP, "as guerras da Jugoslávia, do Iraque, da Líbia, da Síria, do Iémen, da Ucrânia, entre outras".

"O reconhecimento e rasgados elogios que lhe são despendidos pelos responsáveis dos EUA, da UE e da NATO falam por si", termina o comunicado do PCP.

O último líder da União Soviética morreu na terça-feira aos 91 anos. O antigo Presidente da URSS estava internado devido a doença prolongada.

Mikhail Gorbachev nasceu a 2 de março de 1931, em Privolnoye, na Rússia, no seio de uma família de imigrantes russo-ucranianos. Formou-se em Direito em 1955, pela Universidade de Moscovo, e em Economia em 1967.

O último Presidente soviético forjou acordos com os Estados Unidos e com potências ocidentais para remover a Cortina de Ferro que dividia a Europa desde a II Guerra Mundial, colocando um ponto final à Guerra Fria.

Apesar do feito de pôr fim à Guerra Fria sem derramar sangue, não conseguiu evitar o colapso da União Soviética. Isto porque quando se tornou secretário-geral do Partido Comunista Soviético, em 1985, aos 54 anos, propôs reformar o sistema, ao introduzir liberdades políticas e económicas que acabaram por lhe fugir de controlo.

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