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O legado de “Red Rishi” como ministro das Finanças

O legado de “Red Rishi” como ministro das Finanças
Alberto Pezzali

O novo primeiro-ministro britânico é conhecido pelo esquema de retenção de empregos durante a pandemia e o maior aumento de impostos em 70 anos.

O novo primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, elegeu esta terça-feira como prioridade combater a “profunda crise económica” que afeta o país e antecipou "decisões difíceis”, mas prometeu a mesma “compaixão” que mostrou enquanto foi ministro das Finanças, entre 2020 e 2022.

Apesar de ser admirador de Margaret Thatcher e defensor da disciplina fiscal, Sunak deixou um legado como ministro das Finanças que lhe valeu alcunhas como “Red Rishi” e “socialista”.

ESQUEMA DE RETENÇÃO DE EMPREGOS DURANTE PANDEMIA

Três dias antes do início do primeiro confinamento total no Reino Unido para reduzir a transmissão da covid-19, Rishi Sunak anuncia um esquema de retenção de empregos que cobre até 80% dos salários dos trabalhadores.

O sistema de ‘lay-off’ durou 18 meses, até setembro de 2021, e custou cerca 70.000 milhões de libras, mas terá salvo 11,7 milhões postos de trabalho.

Lançou ainda uma série de linhas de crédito [Bounce Back Loan Scheme] para ajudar pequenas empresas, que custou 46.600 milhões de libras e terá evitado o encerramento de meio milhão de negócios e a perda de 2,9 milhões de empregos.

Mas o programa generoso atraiu um grande número de candidaturas fraudulentas, avaliadas em cerca de 5.000 milhões de libras. Um secretário de Estado, Theodore Agnew, demitiu-se em protesto com os “erros básicos” cometidos.

Rishi Sunak também idealizou o famoso plano "Eat Out to Help Out” em agosto de 2020, que cobria metade do custo das refeições em restaurantes de forma a encorajar os britânicos a comer fora e relançar a economia.

O custo de 840 milhões de libras excedeu as expetativas, mas também foi responsabilizado por contribuir para uma nova onda de infeções com o novo coronavírus no Reino Unido.

MAIOR AUMENTO DE IMPOSTOS EM 70 ANOS

Passado o pior da pandemia de covid-19, o ministro das Finanças de Boris Johnson foi rápido em começar a restaurar as contas públicas.

No ano passado, impôs um aumento em 1,25% da contribuição para a Segurança Social de forma a financiar a despesa adicional com o sistema de saúde e de apoio social, angariando cerca de 12.000 milhões de libras por ano.

A abolição deste aumento, que rompia com o programa eleitoral de 2019, foi uma das primeiras medidas de Liz Truss em setembro e um dos poucos cortes fiscais que avançou porque já está em processo de legislação.

As medidas de contenção da despesa também começaram a mostrar resultados e no final de 2021 o governo já tinha conseguido uma poupança de 13.000 milhões de libras em relação ao que estava previsto.

Com o aumento da inflação e desaceleração económica, a tensão entre Sunak, Johnson e outros membros do Governo aumentou devido à resistência em aumentar a despesa e a insistência em obter mais receitas.

Em maio passado, já em plena crise dos preços da energia, Sunak anunciou uma taxa de 25% sobre as empresas de energia, com o objetivo de angariar 5.000 milhões de libras. Este dinheiro seria usado para pagar uma parte do pacote de ajuda aos britânicos com rendimentos mais baixos.

Este aumento de impostos, o maior em 70 anos, valeu a Sunak o apelido de “socialista” pelo antigo ministro da Economia Jacob Rees-Mogg.

Quando se demitiu de ministro das Finanças, em julho de 2022, Sunak escreveu na carta a Boris Johnson que ambos querem "uma economia de impostos baixos, de crescimento alto e serviços públicos de excelência”.

Porém, acrescentava, tal "só pode ser cumprido de forma responsável se estivermos preparados para trabalhar arduamente, fazer sacrifícios e tomar decisões difíceis”.

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