Mundo

Incêndios no Chile: Governo chileno declara recolher obrigatório em várias regiões

Os quase 300 incêndios florestais que já afetaram o centro e o sul do Chile causaram pelo menos 24 mortes, queimaram quase 300 mil hectares e destruíram 1.100 casas, deixando três mil pessoas deslocadas.

Um bombeiro trabalha enquanto um incêndio queima partes das zonas rurais em Quillon, Chile.
Um bombeiro trabalha enquanto um incêndio queima partes das zonas rurais em Quillon, Chile.
STRINGER

O Governo do Chile declarou, a partir desta quinta-feira, o recolher obrigatório nas regiões de Biobío, Ñuble e La Araucanía (centro) devido à onda de incêndios florestais que já causou 24 mortos.

A medida foi decidida após uma reunião entre as autoridades e os chefes da proteção civil de cada região e visa "garantir a segurança das famílias afetadas pela emergência", disse o Presidente chileno.

Em declarações à imprensa, Gabriel Boric disse que a medida foi discutida numa "importante região com os comandantes em chefe dos três ramos das Forças Armadas e o chefe do Estado-Maior Conjunto".

"Estivemos a conversar, medimos os prós e os contras, e são os chefes da proteção civil que vão determinar, concretamente, em que províncias e em que horários", acrescentou o governante.

“Não estamos aqui para tirar fotos”

Boric anunciou ainda a aprovação de um decreto para requisição de ferramentas, máquinas e até água para responder aos incêndios.

"Não estamos aqui para tirar fotos, mas para trabalhar e, nesse sentido, temos todo o Governo, as suas autoridades e temos as autoridades comunais e regionais a trabalhar em conjunto", sublinhou o Presidente.

O Chile continua a viver um período de altas temperaturas, com alertas vermelhos nas regiões de Biobío, Ñuble e La Araucanía (centro), bem como em vários locais das regiões de Maule, Los Ríos e Los Lagos (sul).

Países enviam ajuda humanitária

Centenas de militares estão a trabalhar no combate aos incêndios, contando ainda com a colaboração de pessoal e equipamento vindo de outros países da América Latina e de fora da região.

O Governo do Brasil anunciou na quarta-feira que vai enviar ajuda humanitária para o Chile, devido aos incêndios florestais que afetam o país.

Para o Chile, o Presidente brasileiro, Lula da Silva, autorizou o envio de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) equipada para o combate aos incêndios, e correspondente equipa, além de veículos, equipamentos e materiais, de acordo com um comunicado da presidência.

Este contingente irá reforçar a ação de 60 socorristas disponibilizados pelos ministérios da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O Governo brasileiro vai disponibilizar ainda seis especialistas "em comportamento do fogo".

Missão portuguesa partirá para o Chile

Também na quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, anunciou que uma missão portuguesa irá partir na sexta-feira para ajudar no combate aos fogos florestais no Chile.

Os quase 300 incêndios florestais que afetaram o centro e o sul do Chile causaram pelo menos 24 mortes, queimaram quase 300 mil hectares e destruíram 1.100 casas, deixando três mil pessoas deslocadas.