O diretor-adjunto do FBI, Dan Bongino, anunciou quarta-feira que renunciará no próximo mês ao cargo no gabinete federal de investigação norte-americano, poucos meses após envolver-se numa polémica sobre o caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Numa publicação nas redes sociais, Bongino não detalhou os motivos da sua saída, limitando-se a agradecer ao Presidente Donald Trump, à procuradora-geral Pam Bondi e ao diretor do FBI, Kash Patel, "pela oportunidade de servir com propósito".
Instado pelos jornalistas a comentar a saída, Trump deixou elogios ao ex-agente policial e apresentador de um 'podcast' conservador, sem esclarecer as razões da saída, ao fim de nove meses no cargo.
"O Dan fez um grande trabalho. Acho que ele quer voltar ao seu programa", opinou Trump em declarações à imprensa em Washington.
O mandato de Bongino foi marcado por conflitos com o Departamento de Justiça (DoJ, na sigla em inglês) sobre o tratamento dos arquivos do caso de Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado e durante décadas amigo de Donald Trump.
Segundo a imprensa norte-americano, a permanência de Bongino no FBI estava em causa desde julho, quando as lideranças do gabinete e do DoJ emitiram um memorando conjunto que revogava a promessa de divulgar os ficheiros da investigação sobre Epstein.
A posição refutou várias teorias da conspiração antigas que Bongino tinha promovido no seu 'podcast', que usou durante anos para criticar repetidamente o FBI e promover teses sobre o caso de tráfico sexual de Epstein e as bombas artesanais descobertas em Washington a 6 de janeiro de 2021, aquando do assalto ao Capitólio por apoiantes de Trump.
Bongino foi uma escolha inusitada para o segundo cargo mais importante do FBI, que historicamente envolve a supervisão das operações diárias da agência e tem sido ocupado por um agente de carreira.
Embora tivesse trabalhado anteriormente como polícia na cidade de Nova Iorque e mais tarde como agente dos Serviços Secretos, Bongino não tinha experiência no FBI antes de ser escolhido para o cargo, à semelhança do diretor Kash Patel.
A liderança do FBI tem enfrentado críticas públicas pelo uso de um avião governamental para fins pessoais por parte de Kash Patel e pelas publicações do diretor nas redes sociais sobre investigações em curso.
