Bincha Naquira estende a mão à caridade. Carrega o peso de quem ficou sem nada e vista do céu parece uma formiguinha a caminhar entre os escombros deixados pelo ciclone que atingiu o norte de moçambique, no fim de semana.
A casa onde se abrigou com a família é agora um esqueleto, já que as chapas de metal foram arrancadas pelo vento que soprou a 260 quilómetros por hora. Vai chegando a conta gotas a ajuda à população no distrito de Mecúfi, na província de Cabo Delgado, em Moçambique, onde 80% das casas ficaram destruídas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) já atribuiu 3,8 milhões de euros para a assistência às vítimas, mas as equipas humanitárias dizem que no local falta tudo. No norte de Moçambique, a passagem do ciclone tropical deixou um rasto de destruição e morte. A devastação causada pela natureza veio agravar a situação num território já muito fragilizado por uma guerra civil que dura há sete anos.
Cerca de 190 mil deslocados precisam de apoio urgente.
A 600 quilómetros da costa moçambicana, em pleno Oceano Índico, a solidariedade faz caminho. É um entra e sai num centro comunitário na ilha francesa de Reunião, um armazém improvisado de donativos para ajudar as vítimas do ciclone. Alimentos e roupa serão transportado num avião militar para o arquipélago de Mayotte.
Este pequeno território insular francês em África foi atingido pelo pior ciclone em quase um século. O Papa Francisco prestou as condolências às famílias das vítimas.
"Que deus dê descanso aos que perderam a vida, o apoio necessário a todos os que precisam e consolo às famílias afetadas".
Vários militares foram destacados para entregar alimentos, água e medicamentos e ajudar nas operações de resgate. As autoridades francesas admitem que centenas ou até milhares de pessoas tenham morrido e anunciaram o recolher obrigatório durante a noite para evitar pilhagens.