Análise

Impeachment a Donald Trump sem tempo para seguir para o Senado

Germano Almeida

Germano Almeida

Comentador SIC

Germano Almeida, comentador da SIC, analisa a situação política nos Estados Unidos.

O processo de destituição de Donald Trump foi, esta quarta-feira, aprovado pela Câmara dos Representantes, fazendo com que o ainda Presidente norte-americano seja o primeiro a ser alvo de dois impeachments no mesmo mandato. No entanto, Germano Almeida, comentador da SIC, lembra que não há tempo para resolver o processo.

“Não há tempo para o caso seguir para o Senado antes da posse porque estamos a uma semana dela. Na Câmara Alta seriam precisos dois terços, ou seja 17 senadores Republicanos a juntar aos, na altura, 50 Democratas”, explica na Edição da Noite.

O Senado só irá voltar a reunir a 19 de janeiro, um dia antes da tomada de posse de Joe Biden como novo Presidente dos EUA. Os Democratas ainda ponderaram avançar com um pedido de urgência, mas acabaram por não o fazer.

"Acabaria por não ser uma boa estratégia para os Democratas porque isso seria dar um presente a Donald Trump na véspera do final do mandato: terminar o mandato como ilibado, porque muito provavelmente não passaria. Basta ver que esta noite [quarta-feira] 211 congressistas Republicanos, apenas 10 votara no impeachment. Portanto seria altamente improvável que em 50 senadores Republicanos 15 o fizessem”, afirma Germano Almeida.

A tomada de posse de Joe Biden será uma das mais difíceis dos últimos anos. O FBI avançou que estão a ser organizados ataques armados nos diferentes estados e a segurança do Capitólio já foi reforçada. O novo Presidente irá lançar a mensagem de “América Unida”, recorrendo aos três grandes presidentes anteriores a Donald Trump – Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama –, para investir na noção de legado presidencial.

Depois de uma eleição equilibrada, a forma como Biden irá lidar com os apoiantes de Trump será um desafio, a somar à atual crise pandémica, sanitária e económica. No entanto, Germano Almeida sublinha que a invasão do Capitólio teve um efeito significativo no número de apoiantes de Trump e apenas metade concorda com o que se passou no dia 6 de janeiro.

Também esta quarta-feira, Donald Trump atingia o nível mais baixo de aprovação desde que foi eleito Presidente. E uma futura candidatura poderá estar cada vez mais distante: se o impeachment for aprovado, Trump fica impedido de voltar a candidatar-se às eleições norte-americanas; se for recusado, o ainda Presidente poderá voltar a apresentar-se como candidato, mas as mais recentes sondagens não lhe são favoráveis.

“Até à invasão do capitólio o favorito era Donald Trump, por razões óbvias e pelos votos que teve, depois da invasão do capitólio não acredito sinceramente que ele tenha hipóteses de recuperar politicamente disso”, afirma o comentador da SIC.