País

Tragédia no Meco. Dux João Gouveia conta em tribunal o que se passou naquela noite

Em dezembro de 2013, seis jovens perderam a vida na praia do Meco.

O julgamento do processo cível do caso dos seis jovens que morreram na praia do Meco, em Sesimbra, a 15 de dezembro de 2013, começou esta terça-feira. As famílias das vítimas reclamam indemnizações no valor global de 1,3 milhões de euros.

João Miguel Gouveia foi ouvido na primeira audiência judicial. Junto ao tribunal, o repórter da SIC, Diogo Martins, relata que João Gouveia contou que naquela noite não estava a decorrer qualquer atividade praxista e que a ideia de se deslocarem até à praia do Meco não foi dele, mas sim de dois colegas que também estavam no grupo.

O 'dux' afirma que os jovens estavam sentados no areal e que foram apanhados despercebidos pela onda que os arrastou até à zona de rebentação. A partir desse momento praticamente deixou de ver.

Aquilo que conseguiu fazer, segundo contou ao tribunal, foi retirar a capa do traje académico que estava enrolada no pescoço e limitou-se a esperar que a água o transportasse de novo para o areal. Manteve a calma e em momento algum tentou nadar contra a maré. Lembrou ainda que tentou agarrar a mão de uma colega, mas não a conseguiu levar para o areal.

Os advogados dos familiares dos jovens que morreram quiseram saber se houve ingestão de álcool durante o fim de semana que o grupo passou na casa da praia do Meco, o que João Gouveia confirmou, referindo que nem todos os colegas consumiram.

As declarações de João Gouveia eram um dos momentos mais aguardados pelos pais das vítimas, que responsabilizam o 'dux' pela morte dos filhos.

"Para nós este processo tem um nome: João Gouveia"

A defesa das famílias dos jovens sustenta que, "além da intervenção dos réus - o 'dux' João Gouveia e a COFAC - Cooperativa de Formação e Animação Cultural, CRL (Universidade Lusófona) -, estão em causa o funcionamento da organização denominada COPA [Comissão Oficial de Praxes Académicas] no seio da ULHT [Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias] e atividades praxistas levadas a cabo ao longo dos anos".

Para a defesa, estão também em causa as atividades praxistas levadas a cabo por João Gouveia durante o fim de semana de 13 e 14 de dezembro de 2013, que culminaram com a morte dos seis jovens, bem como os "elevados danos sofridos" pelos seus pais.

Estão arroladas três dezenas de testemunhas.

O inquérito às circunstâncias da morte dos seis jovens foi arquivado em julho de 2014 e reaberto em outubro do mesmo ano, quando o 'dux' João Gouveia foi constituído arguido.

Em março de 2015, o Tribunal de Instrução Criminal de Setúbal decidiu não enviar o processo-crime para julgamento e o Tribunal da Relação de Évora, após recurso da defesa, manteve a decisão, sublinhando que as vítimas eram adultas e não haviam sido privadas da sua liberdade durante a praxe, pelo que não havia responsabilidade criminal sobre João Gouveia.

  • 4:11