País

"Acho que o país inteiro já percebeu que não haverá Governo PSD sem o Chega"

Entrevista SIC Notícias

Presidente do Chega, André Ventura, em entrevista na Edição da Noite.

André Ventura, líder do Chega, esteve esta segunda-feira na Edição da Noite da SIC Notícias.

Ventura falou sobre as declarações a uma família do Bairro da Jamaica e a condenação por "ofensas"; o rumo do partido; o congresso da direita que decorre esta semana e as eleições autárquicas.

Declarações sobre família do Bairro da Jamaica

O presidente do Chega mantém as declarações que fez sobre uma família do Bairro da Jamaica, no Seixal, e garante que não vai pedir desculpas.

"Vou analisar a decisão, ainda não tive esse tempo hoje. Não consigo compreender a minha condenação e a condenação do partido. Não quero ser exagerado", argumenta.

O deputado e líder do Chega foi condenado em tribunal por "ofensas ao direito à honra" de uma família por lhes ter chamado "bandidos".

"Eu não peço desculpa quando entendo que tenho razão. Mantenho as declarações", acrescenta.

Esta segunda-feira à noite na SIC Notícias, disse que vai recorrer da decisão.

Na sentença, a juíza do tribunal de Lisboa reconhece as "ofensas ao direito à honra e ao direito de imagem" da família Cotxi, quando Ventura exibiu uma fotografia da família, num debate televisivo para as presidenciais, em janeiro, tendo-lhes chamado "bandidos".

Alterações ao programa do Chega?

Na SIC Notícias, André Ventura negou fazer alterações ao programa do Chega para travar a ilegalização do partido.

"Quando fiz uma manifestação contra a ilegalização do partido, em Lisboa, sabia o impacto e os riscos que isso teria", explicou.

O líder do partido diz que o Chega quer clarificar áreas como a saúde pública e a educação pública.

"O Chega tem feito inúmeras propostas para ajudar o Serviço Nacional de Saúde e os seus profissionais. Queremos um SNS, não queremos é penalizar o serviço privado", esclarece.

Rumo do Chega

Ventura diz esperar que o congresso com os líderes da Direita decida o rumo do Chega, nomeadamente no que diz respeito a formar Governo com o PSD. Reconhece que quer poder influenciar a governação.

No entanto, deixou claro que sair da União Europeia "não é o caminho". Como "caminho" certeiro defende um "nacionalismo saudável".

André Ventura salienta a necessidade de reformas na justiça e na segurança social. E defende que há novos protagonistas na direita em Portugal.

"O dr. Rui Rio só chegará a primeiro-ministro com os votos da direita. O PSD só estará no Governo com os votos do Chega", realçou.

Questionado sobre algumas atitudes menos moderadas, Ventura reconhece que não vai mudar.

"Excessos de linguagem há sempre", diz, acrescentando que já ouviu "coisas piores" no Parlamento.

"Não vou deixar de defender o que defendo sobre a etnia cigana, sobre o sistema político e sobre o sistema fiscal", afirma.

O que esperar das Autárquicas

Na Edição da Noite, o líder do Chega adiantou que a meta para as eleições autárquicas passa por fazer do Chega a terceira força política em número de votos.

"Não eleger em Lisboa seria uma derrota", reconhece.

André Ventura diz que as sondagens apontam para uma votação superior ao PSD no Alentejo e no Algarve.

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